Avançar para o conteúdo principal

Nos 10 anos da morte de Miguel Torga



Posso abrir ao acaso um livro de Miguel Torga sabendo que vou encontrar uma pérola. Como esta:


Drama

A quem falo no mundo? Por quem foi
Esta bandeira branca de poeta?
A quem descubro a chaga que me rói
Por não ser seu artista e seu profeta?

A quem arranco com beleza a seta
Do calcanhar humano que lhe dói?
A quem vejo chegado à sua meta,
Novo senhor da terra e novo herói?

A nenhum homem, que a nenhum conheço.
Água de um rio que não tem começo,
Nas duas margens sinto o mesmo não.

Mas na direita a vida é gasta e velha...
Só na outra uma chama se avermelha
Capaz de me aquecer o coração.

(Miguel Torga, "Poesia Completa I", Círculo de Leitores)

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Registo

Boas notícias: em S. Tomé e Príncipe, o candidato derrotado aceitou os resultados das eleições e felicitou o vencedor.

Más notícias: em Timor-Leste, segundo a Lusa, o Conselho de Estado "autorizou" (!) o Presidente da República a prorrogar o estado de emergência.

Forças da natureza

Paul Gauguin, "Fatata Te Moua" ("No sopé de uma montanha"), 1892