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A mostrar mensagens de 2016

Luto por Antínoo

As mensagens afluíram; Pâncrates enviou-me o seu poema finalmente terminado; não era mais que um medíocre centão de hexâmenos homéricos, mas o nome que figurava ali quase em cada linha tornava-o para mim mais comovente que muitas obras-primas. Numénio mandou-me uma Consolação segundo as regras; passei uma noite a lê-la; não lhe faltava nenhum lugar-comum. Estas fracas defesas erguidas pelo homem contra a morte desenvolviam-se em duas linhas: a primeira consistia em no-la apresentar como um mal inevitável; em nos lembrar que nem a beleza, nem a juventude, nem o amor escapavam à podridão; em nos provar, enfim, que a vida e o seu cortejo de males são ainda mais horríveis que a própria morte, e que vale mais morrer que envelhecer. Servem-se destas verdades para nos inclinar à resignação; elas justificam sobretudo o desespero. A segunda linha de argumentos contradiz a primeira, mas os nossos filósofos não se preocupam muito com isso: já se não tratava de nos resignarmos à morte, mas de a n…

"Como não morrer de fome em Portugal"?

Terminei há dias a leitura de um terceiro livro em pouco tempo de estrangeiros sobre as suas impressões no seu novo país. Depois de um retrato do Reino Unido por um português ("Bifes mal passados", de João Magueijo) e outro da Suíça por um inglês ("Swiss Watching", de Diccon Bewes), ambos muito interessantes e hilariantes, o humor inglês infiltrou-se num retrato de Portugal visto por uma inglesa ("Como não morrer de fome em Portugal", de Lucy Pepper).

Todos estes livros sofrem de um problema básico, que é serem demasiado pessoais, e não se conseguir distinguir o que é geral ou, pelo menos, comum, da reação de um nacional de um país A num outro país B.

No entanto, o livro de Lucy Pepper não deixa de ter mérito, porque é um caso raro de alguém que se integrou bastante na vida portuguesa, e que levanta questões que não podem deixar de nos interpelar.

Por exemplo, tal como há o preconceito internacional de que os ingleses cozinham mal, há entre os portugues…

Registo

Porquê?

O Reino Unido pode sair da União Europeia, mas Portugal não pode sair do Euro. Faz sentido?

Matar uma cotovia

Mr. B. B. Underwood nunca tinha escrito de forma tão amarga e estava-se nas tintas se lhe cancelassem alguma publicidade e algumas assinaturas. (Só que Maycomb não jogava segundo essas regras: Mr. Underwood podia gritar até suar e escrever o que quisesse que não perdia a publicidade e as assinaturas. Se ele queria fazer figuras tristes no seu próprio jornal, isso era lá com ele.) Mr. Underwood não escreveu sobre os erros judiciários. Escreveu antes de uma maneira que até as crianças podiam perceber. Mr. Underwood disse simplesmente que era pecado matar os aleijados, quer estivessem de pé, sentados ou a fugir. Ele comparava a morte do Tom à matança estúpida das aves perpetrada por caçadores e crianças, e Maycomb pensou que ele estava a tentar escrever um editorial suficientemente poético para voltar a aparecer numa futura impressão do "The Montgomery Advertiser".

Como poderia ser assim?, pensava eu, ao ler o editorial de Mr. Underwood. Matança estúpida... O Tom tinha sido alvo…

25 de Abril sempre!

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(Eduardo Gageiro)
Depois de tanta guerra, a paz sem vencedor e sem vencidos.