terça-feira, abril 25, 2017

25 de Abril sempre!


Em dias em que administradores da CGD não percebem o que é serviço público (mas percebem de salários principescos e uma muito considerável "melhoria do CV"), em que funcionários dos serviços de saúde não estão devidamente vacinados, em que os falsos recibos verdes são uma realidade para ficar (que nos torna motivo de chacota de colegas e amigos estrangeiros). Dia de homenagem a Sá Carneiro, fundador de um partido que é tudo menos social-democrata (mente logo a começar no nome). O povo está a dormir em 2017.

sábado, abril 22, 2017

Sourate 1: AL-FATIHA

(PROLOGUE ou OUVERTURE)

1. Au nom d'Allah, le Tout Miséricordieux, le Très Miséricordieux. 2. Louange à Allah, Seigneur des mondes. 3. Le Tout Miséricordieux, le Très Miséricordieux, 4. Maître du Jour de la Rétribution. 5. C'est Toi [Seul] que nos adorons, et c'est Toi [Seul] dont nous implorons l'aide. 6. Guide-nous dans le droit chemin (l'Islam), 7. Le chemin de ceux que Tu as comblés de Tes faveurs, non pas de ceux qui ont encouru Ta colère, ni des égarés (la mécreance).


(Le Noble Coran)

Listas

O conjunto de todas as listas de livros recomendados do Plano Nacional de Leitura de 2016 tem 846 páginas. No entanto, não se encontra lá nem a Bíblia, nem o Corão, nem "O Capital". Já Isabel Alçada aparece em 48 entradas, enquanto José Saramago tem direito a 13 entradas. Pobres alunos pobres, que assim vão continuar.

De facto, este plano tem um conjunto de problemas: aqueles autocolantes redondos estragam os livros (sic!); livros que consideramos clássicos não foram incluídos nestas listas; autores menores, contemporâneos nacionais foram incluídos de uma forma aparentemente arbitrária (ou pior?); e a inclusão de Isabel Alçada, ex-coordenadora do plano (de cujos livros, aliás, fui grande leitora quando era pequena).

É de saudar a intenção de aumentar a literacia científica e o contacto com as artes pelos jovens e, indiretamente, da população portuguesa. Vamos ver o que vai ser feito.

Uma vergonha para o Público

Vem hoje escrito no Público: "A bioquímica fará o seu trabalho, é certo, mas a crença tornará esse efeito eficaz! A eficácia depende da mão humana, nunca do método científico." A frase é de Rui Devesa Ramos, que se apresenta como doutor em Psicologia Clínica e Psicobiologia.

Um jornal que publica isto não merece 1,70 euros meus.

sexta-feira, abril 21, 2017

As séries de Piketty




 As séries de Piketty são sempre interessantes. No entanto, o seu livro "O Capital no Século XXI", apesar de ser importante, factual e simples de ler, dificilmente pertencerá ao "Plano Nacional de Leitura". É pena.

Gatinhos









Cuteness overload!!! (Obrigada ao Google por existir e me fazer regressar à infância, afinal um dos últimos bálsamos.)

quinta-feira, abril 20, 2017

O que somos?

O que mais nos define: aquilo de que gostamos ou o que sabemos fazer? O Facebook define-nos pelos gostos e preferências, enquanto o Linkedin quer saber as nossas "competências" com interesse para supostos potenciais empregadores. Na primeira linha: Benfica ou Sporting? IOS ou Android? Série "pacote" A ou B? Temporada N ou M? Na segunda: tocar guitarra e cantar latim? Bolos ou bonecas de pano? Trocar lâmpadas? Vender? ("Ulisses rei da Ítaca carpinteirou seu barco/E gabava-se também de saber conduzir/Num campo a direito o sulco do arado").

Ora, Homero, se é que existiu, sabia escrever e gostava de contar histórias. Este exemplo sugere que, para o máximo sucesso e uma marca mais duradoura, deveríamos gostar da atividade que fazemos, que idealmente é uma que sabemos fazer bem. Mas a realidade é outra. "É a economia, estúpidos", diriam alguns. A maioria da humanidade trabalha muitas horas por dia por um salário baixo, sempre sentados ("the new smoking") ou sempre em pé (a ganhar varizes), num trabalho de que não gosta. Nas sociedades anteriormente desenvolvidas, longos períodos de desemprego, sem proteção social, são cada vez mais a norma.

Na sociedade ocidental, nos tempos recentes, uma classe média que aumentou antes de se dissipar, foram inventadas as férias e os passatempos, e as reformas pagas. (As crianças e os adolescentes só têm de ser estudantes.) Não serão escapes? Hoje, já não há dinheiro para luxos, é o tempo do marmitar como moda.

Sobre nós, as nuvens negras que são os nossos medos acompanham-nos ao longo da viagem. Se antes antecipávamos cogumelos nucleares, hoje imaginamos costas com o nível da água do mar cada vez mais elevado.

As relações amorosas são mais frágeis (impossíveis?), embora se evite assim algumas mentiras e hipocrisia.

A amizade hoje é uma caricatura no Facebook.

O que somos? Para onde vamos?

Para que serve um blog? (De novo.)

O twitter é mais rápido embora mais limitado. Depois, tudo vai desaparecer, como já aconteceu com as páginas pessoais do Geocities, do Terràvista, do Sapo, ou com os comentários do Haloscan). Por isso, para quê gastar o latim, a não ser que se tenha uma agenda política ou um negócio de artesanato? Todo o palavreado é sugado pelo buraco negro que é o tempo, com uma forma cada vez mais próxima da do esparguete.

Escrever para pensar melhor?