sexta-feira, julho 14, 2006

Uma viagem providencial (XVII)

A ilha da Restauração

«Como esse dia, o de 29 de Maio, era o aniversário da restauração do rei Carlos II - relata Bligh - e esse substantivo tinha certa afinidade com a nossa situação (visto sentirmo-nos física e moralmente restaurados), dei à ilha o nome de «ilha da Restauração». Pensei que o capitão Cook podia não a ter assinalado.»

Os homens saciaram-se com excelentes refeições de ostras e frutos de palmeira, cozidos juntos, e não tocaram nas rações de pão.

Na manhã do dia seguinte, 30 de Maio, Mr. Bligh notou, com grande alegria, visível melhoria no estado de saúde dos seus companheiros. Mandou-os apanhar ampla provisão de ostras, decidido a fazer-se ao largo naquela mesma tarde. Os homens enchera, também os barris de água disponíveis, e o comandante calculou que lhes restava pão para trinta e oito dias, continuando com as rações até aí distribuídas.

Quando todos estavam prontos para partir, Bligh recitou na margem uma acção de graças. Mas, precisamente no momento de embarcarem, surgiram a correr cerca de vinte selvagens nus que os intimaram, por sinais, a esperar. Como estavam todos armados de lanças, Bligh julgou mais prudente não estabelecer relações com eles... Afastaram-se, pois, da ilha da Restauração e aproaram a norte: à sua esquerda deixavam o continente e, à direita, certo número de ilhas e de recifes.


Sir John Barrow, "Revolta na Bounty", tradução de Fernanda Pinto Rodrigues, Publicações Europa-América, 1972

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