terça-feira, julho 11, 2006

Uma viagem providencial (XIV)

Depois, o suplício do calor!

O tempo melhorou, o que, por estranho que pareça, teve os seus inconvenientes, pois os tripulantes da chalupa viram-se a braços com um novo suplício, inteiramente diferente dos anteriores. O Sol difundia um calor tórrido, tão intolerável, que vários homens foram vítimas de uma espécie de quebreira, de fraqueza, que os tornava indiferentes a tudo, até à existência.

De tarde tiveram a sorte de apanhar mais duas andorinhas-do-mar, e esse facto, aparentemente insignificante, levantou-lhes o moral. O estômago das aves continha vários peixinhos voadores e pequenos moluscos que foram cuidadosamente postos de parte para o almoço do dia seguinte. As andorinhas-do-mar foram divididas em dezoito porções, e, como o suplemento era de importância, Bligh distribuiu-o segundo a regra do «Quem o receberá?» A este respeito faz o seguinte comentário: «Hoje, apesar da ração habitual de pão ao pequeno-almoço e ao almoço, verifiquei com prazer que os homens julgavam ter participado num festim.»

Começaram a aparecer nuvens no céu e Bligh anunciou que se encontravam, certamente, perto da costa. Passaram todos uma tarde agradável, tentando imaginar o que encontrariam em terra.


Sir John Barrow, "Revolta na Bounty", tradução de Fernanda Pinto Rodrigues, Publicações Europa-América, 1972

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