quinta-feira, junho 15, 2006

Timor-Leste: o que as línguas dizem

Gosto de conhecer peculiaridades linguísticas que revelem um entendimento da realidade muito diferente do meu. Por exemplo, nas línguas de Timor, há uma diferença entre "nós, contigo/convosco incluído(s)" e "nós, sem ti/vós incluído(s)". É como se houvesse uma necessidade diária de distinguir o universal do que é particular do grupo, sendo que este pode ser o clã, mas não só. Em populações pequenas e isoladas, a defesa das tradições e das memórias ancestrais parece vital para a manutenção de uma identidade comum. Tragicamente, parecem não ter entendido os perigos biológicos e culturais da consanguinidade e do isolamento.

Há também a diferenciação entre "irmão mais velho" e "irmão mais novo" (e o mesmo para as irmãs), que parece uma manifestação de respeito pelo tempo e pela experiência. Mas este respeito pode ser, muitas vezes, inimigo da democracia e do progresso.

Há, depois, a curiosa utilização da língua. Os líderes religiosos e políticos timorenses usam a palavra "povo" de uma forma sui generis, nunca se incluindo na abstracção. É como se esse "povo" fosse o "povinho" português, a quem, curiosamente, têm dito, nos últimos tempos, que não tem capacidade para a sua auto-determinação. E isso, a falta de orgulho e de esperança, a juntar à falta de bens e à falta de segurança, é muito triste.

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