quarta-feira, março 23, 2005

Soneto do Amor Total

Amo-te tanto, meu amor...não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amiga e como amante
Numa sempre diversa realidade.

Amo-te afim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente
Mulher... fêmea... animal
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.

E de amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de amar mais do que pude.

(Vinícius de Moraes)

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