sábado, março 05, 2005

The Library and the Loneliness

Nunca se fica só numa biblioteca. Se é nossa, tem sempre os amigos que voluntariamente escolhemos, ou que rejeitámos depois de termos escolhido, ou que nos foram apresentados por amigos, com os quais aprendemos, que nos surpreenderam. Se é alheia, tem as sugestões de alguém que fez a selecção ou a colecção por nós.

Os mestres falam-nos a partir de um passado intemporal e dialogam entre si na nossa mente. Projectaram-se no futuro, e projectam-nos a nós também no futuro, dando-nos boleia no seu movimento do pensamento.

Na biblioteca infinita imaginada por Borges, cabem os livros que escreveríamos se tivéssemos o engenho e a arte, os que nos salvariam de qualquer desespero, os que nos tornariam melhores. Só temos que procurá-los entre todas as possibilidades.

Viaja-se a todos os países, a todos os recantos, a todas as galáxias, a todos os instantes e a todas as suspensões do decurso do tempo, a todas as possibilidades da imaginação humana. Ri-se e chora-se, é-se cúmplice, cai-se nas teias da paixão e é-se solidário com o sofrimento e a esperança do mundo.

O livro, esse objecto feito de mil formas, mas sempre uma arma da comunicação, é, definitivamente, uma das maiores invenções do espírito humano.

Sem comentários:

Malditas praxes

Mais um ano letivo, mais uma temporada de praxes. Com trinta graus, andam com capas de lã e de collants aos berros durante horas e horas, a ...