domingo, janeiro 08, 2006

Romance tradicional

Lá se vai o conde Ninho, - seu cavalo vai banhar;
Enquanto o cavalo bebe, - formou-se um lindo cantar:
- Bebe, bebe, ó meu cavalo, - Deus te defenda do mal,
- Ou dos perigos do mundo - e das areias do mar.
- Acorda, bela infanta, - se queres ouvir cantar;
- Ou são os anjos no céu, - ou a sereia no mar.
- Não são os anjos no céu, - ou a sereia no mar,
É ele, o conde Ninho, - que comigo quer casar.
- Se queres casar c'o conde, - eu vo-lo mando matar.
- Se mandais matar o conde, - mandai-me a mim degolar.
Um morre e outro morre, - ambos vão a enterrar.
Um enterram-no à porta, - o outro, ao pé do altar.
Dum nasceu um acipreste, - do outro, um verde laranjal.
Um cresce e outro cresce, - à porta se vêm juntar;
Quando o rei ia prà missa, - 'storvavam-lhe de passar.
Chamou pelos seus criados, - mandou-os arredondar:
Dum saiu uma pombinha, - do outro um pombo trocal.
Um voa e outro voa, - passaram pra além do mar.
Foram-se pousar à mesa, - onde el-rei 'stava a jantar.
Um pica, o outro pica, - ambos no melhor manjar.
Malo haja a rainha - que tal par mandou matar!
Nem na vida, nem na morte, - se puderam apartar.

Sem comentários:

Malditas praxes

Mais um ano letivo, mais uma temporada de praxes. Com trinta graus, andam com capas de lã e de collants aos berros durante horas e horas, a ...