domingo, maio 13, 2007

Whitman

Um blog pôs junto à ligação a este Abrigo uma imagem de Walt Whitman: gosto disso! Será esta uma boa altura para falar de Whitman, depois de um poema tão extraordinário que não precisa de quaisquer comentários?

As "Folhas de Erva" são, seguramente, um dos melhores livros que já encontrei.

Fixo a imagem do homem publicada numa das primeiras páginas da sua obra-prima. Nunca tinha visto tal coisa, mas se calhar sou eu que não conheço as modas dos livros antigos.

Na gravura e nas fotografias, reconhece-se em Whitman um homem bonito (serão claros ou cegos, os olhos de uma fotografia?). Mas é como se fosse uma montanha imponente, que guarda no seu interior os seus maiores tesouros, galerias incrustadas de cristais de todas as cores.

Tinha da obra dele a ideia dada por Pessoa dos poemas marítimos, dos sons dos barcos e dos marinheiros, escritos em registo épico, um pouco como Melville. Aliás, viveram os dois praticamente os mesmos anos. Mas Whitman é muito mais do que imaginava. Conseguiu captar a alma da "América", nas suas paisagens grandiosas, no seu projecto democrático, na sua humanidade fraternal. De facto, se a república já tinha sido experimentada na Grécia e na Roma antigas ou nas repúblicas italianas ou helvéticas, foi na América que a utopia democrática foi recriada e posta em prática. Whitman vai na carruagem do entusiasmo.

Mas o que mais me comove nos seus poemas é a constante declaração de amor, não tanto por um povo abstracto, mas por pessoas que conheceu, que tanto poderiam ser a mãe ou o pai, irmãos, amigos ou amantes. Como se ele tivesse sido o escolhido, com o seu imenso talento, para cristalizar uma época, e tivesse querido que aqueles que amou estivessem também no retrato. Justamente, como um cristal que adquire a sua cor devido às impurezas na sua estrutura cristalina.

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