quinta-feira, setembro 21, 2006

Planura

A morte parecia ser o único fim razoável para semelhante carreira; mas a morte é apenas um salto para a região do estranho desconhecido; não passa da entrada do imenso remoto, do fantástico, do aquático, do sem alicerces. Assim, para esses homens que suspiram pela morte, mas a não desejam e não podem suicidar-se, o oceano, o participante inúmero e o acolhedor eterno, exibe com sedução os sedutores e inconcebíveis terrores da sua planura; do coração dos Pacíficos infinitos, milhares de sereias lhe cantam:

«Vem para cá, coração despedaçado; aqui vivemos uma morte intermédia; aqui podemos ter, sem morrer, maravilhas sobrenaturais. Vem para cá! aniquila-te numa vida odiada pelo seu mundo terreno e que dela penso o mesmo; ofereço ainda mais esquecimento que a morte. Vem para cá! Levanta a tua própria lápide no cemitério, e vem para cá casar-te comigo!»

Ouvindo estas vozes vindas do leste e do oeste, da alvorada ao crepúsculo, o espírito do ferreiro respondeu: «Pois bem; aqui me tens!» E foi assim que Perth foi pescar a baleia.


(Herman Melville)

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