Ta tête, ton geste, ton air
Sont beaux comme un beau paysage;
Le rire joue en ton visage
Comme un vent frais dans un ciel clair.
Le passant chagrin que tu frôles
Est ébloui par la santé
Qui jaillit comme une clarté
De tes bras et de tes épaules.
Les retentissantes couleurs
Dont tu parsèmes tes toilettes
Jettent dans l'esprit des poètes
L'image d'un ballet de fleurs.
Ces robes folles sont l'emblème
De ton esprit bariolé;
Folle dont je suis affolé,
Je te hais autant que je t'aime!
Quelquefois dans un beau jardin
Où je traînais mon atonie,
J'ai senti, comme une ironie,
Le soleil déchirer mon sein;
Et le printemps et la verdure
Ont tant humilié mon coeur,
Que j'ai puni sur une fleur
L'insolence de la Nature.
Ainsi je voudrais, une nuit,
Quand l'heure des voluptés sonne,
Vers les trésors de ta personne,
Comme un lâche, ramper sans bruit,
Pour châtier ta chair joyeuse,
Pour meurtrir ton sein pardonné,
Et faire à ton flanc étonné
Une blessure large et creuse,
Et, vertigineuse douceur!
A travers ces lèvres nouvelles,
Plus éclatantes et plus belles,
T'infuser mon venin, ma soeur!
(Charles Baudelaire)
segunda-feira, março 07, 2005
domingo, março 06, 2005
Discussão
Da discussão nasce a luz, diz-se. Não gosto de discutir com quem faz por baixar o nível da conversa, com quem explora os equívocos, com quem é incapaz de ouvir e de tentar colocar-se na posição do outro. Gosto de discutir cordialmente com quem tem ideias próximas das minhas, para limar arestas e explorar detalhes ainda insuficientemente analisados.
My life closed twice
My life closed twice before its close;
It yet remains to see
If Immortality unveil
A third event to me,
So huge, so hopeless to conceive,
As these that twice befell.
Parting is all we know of heaven,
And all we need of hell.
(Emily Dickinson)
It yet remains to see
If Immortality unveil
A third event to me,
So huge, so hopeless to conceive,
As these that twice befell.
Parting is all we know of heaven,
And all we need of hell.
(Emily Dickinson)
sábado, março 05, 2005
The Library and the Loneliness
Nunca se fica só numa biblioteca. Se é nossa, tem sempre os amigos que voluntariamente escolhemos, ou que rejeitámos depois de termos escolhido, ou que nos foram apresentados por amigos, com os quais aprendemos, que nos surpreenderam. Se é alheia, tem as sugestões de alguém que fez a selecção ou a colecção por nós.
Os mestres falam-nos a partir de um passado intemporal e dialogam entre si na nossa mente. Projectaram-se no futuro, e projectam-nos a nós também no futuro, dando-nos boleia no seu movimento do pensamento.
Na biblioteca infinita imaginada por Borges, cabem os livros que escreveríamos se tivéssemos o engenho e a arte, os que nos salvariam de qualquer desespero, os que nos tornariam melhores. Só temos que procurá-los entre todas as possibilidades.
Viaja-se a todos os países, a todos os recantos, a todas as galáxias, a todos os instantes e a todas as suspensões do decurso do tempo, a todas as possibilidades da imaginação humana. Ri-se e chora-se, é-se cúmplice, cai-se nas teias da paixão e é-se solidário com o sofrimento e a esperança do mundo.
O livro, esse objecto feito de mil formas, mas sempre uma arma da comunicação, é, definitivamente, uma das maiores invenções do espírito humano.
Os mestres falam-nos a partir de um passado intemporal e dialogam entre si na nossa mente. Projectaram-se no futuro, e projectam-nos a nós também no futuro, dando-nos boleia no seu movimento do pensamento.
Na biblioteca infinita imaginada por Borges, cabem os livros que escreveríamos se tivéssemos o engenho e a arte, os que nos salvariam de qualquer desespero, os que nos tornariam melhores. Só temos que procurá-los entre todas as possibilidades.
Viaja-se a todos os países, a todos os recantos, a todas as galáxias, a todos os instantes e a todas as suspensões do decurso do tempo, a todas as possibilidades da imaginação humana. Ri-se e chora-se, é-se cúmplice, cai-se nas teias da paixão e é-se solidário com o sofrimento e a esperança do mundo.
O livro, esse objecto feito de mil formas, mas sempre uma arma da comunicação, é, definitivamente, uma das maiores invenções do espírito humano.
quinta-feira, março 03, 2005
Os versos que te fiz
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que a minha boca tem pra te dizer!
São talhados em mármore de Paros
Cinzelados por mim pra te oferecer.
Têm dolência de veludos caros,
São como sedas pálidas a arder...
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que foram feitos pra te endoidecer!
Mas, meu Amor, eu não tos digo ainda...
Que a boca da mulher é sempre linda
Se dentro guarda um verso que não diz!
Amo-te tanto! E nunca te beijei...
E nesse beijo, Amor, que eu te não dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz!
(Florbela Espanca)
Que a minha boca tem pra te dizer!
São talhados em mármore de Paros
Cinzelados por mim pra te oferecer.
Têm dolência de veludos caros,
São como sedas pálidas a arder...
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que foram feitos pra te endoidecer!
Mas, meu Amor, eu não tos digo ainda...
Que a boca da mulher é sempre linda
Se dentro guarda um verso que não diz!
Amo-te tanto! E nunca te beijei...
E nesse beijo, Amor, que eu te não dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz!
(Florbela Espanca)
Desejo
"Meter-me numa máquina do tempo e falar contigo, meu filósofo preferido. Consigo até preparar o espírito para aprender e falar a tua língua arcaica. Como és ideal, é seguro que haverá comunicação. Como és ideal, é certo que haverá surpresas."
K
Um agrimensor sem trabalho é vítima de um processo incompreensível, transformando-se, de um dia para o outro, num insecto gigante. Et cætera, et cætera, et cætera...
quarta-feira, março 02, 2005
Pastora da Serra
Pastora da serra
da serra da Estrela,
perco-me por ela.
VOLTAS
Nos seus olhos belos
tanto Amor se atreve,
que abrasa entre a neve
quantos ousam vê-los.
Não solta os cabelos
Aurora mais bela:
perco-me por ela.
Não teve esta serra
no meio da altura
mais que a fermosura
que nela se encerra.
Bem céu fica a terra
que tem tal estrela:
perco-me por ela.
Sendo entre pastores
causa de mil males,
não se ouvem nos vales
senão seus louvores.
Eu só por amores
não sei falar dela:
sei morrer por ela.
De alguns que, sentindo,
seu mal vão mostrando,
se rim, não cuidando
que inda paga, rindo.
Eu, triste, encobrindo
só meus males dela,
perco-me por ela.
Se flores deseja
por ventura, belas,
das que colhe, delas,
mil morrem de enveja.
Não há quem não veja
todo o milhor nela:
perco-me por ela.
Se na água corrente
seus olhos inclina,
faz luz cristalina
para a corrente.
Tal se vê, que sente,
por ver-se, água nela:
perco-me por ela.
(Luís Vaz de Camões)
da serra da Estrela,
perco-me por ela.
VOLTAS
Nos seus olhos belos
tanto Amor se atreve,
que abrasa entre a neve
quantos ousam vê-los.
Não solta os cabelos
Aurora mais bela:
perco-me por ela.
Não teve esta serra
no meio da altura
mais que a fermosura
que nela se encerra.
Bem céu fica a terra
que tem tal estrela:
perco-me por ela.
Sendo entre pastores
causa de mil males,
não se ouvem nos vales
senão seus louvores.
Eu só por amores
não sei falar dela:
sei morrer por ela.
De alguns que, sentindo,
seu mal vão mostrando,
se rim, não cuidando
que inda paga, rindo.
Eu, triste, encobrindo
só meus males dela,
perco-me por ela.
Se flores deseja
por ventura, belas,
das que colhe, delas,
mil morrem de enveja.
Não há quem não veja
todo o milhor nela:
perco-me por ela.
Se na água corrente
seus olhos inclina,
faz luz cristalina
para a corrente.
Tal se vê, que sente,
por ver-se, água nela:
perco-me por ela.
(Luís Vaz de Camões)
terça-feira, março 01, 2005
Macacos nus numa prisão espacio-temporal
Somos seis mil milhões, e sempre a crescer. Uma praga no planeta. As espécies mais próximas contam algumas dezenas de milhares de indivíduos, sempre a diminuir...
Somos senhores dos nossos destinos, homens e mulheres livres? Ou descobrimos a cada dia, se nos permitirmos isso, a máxima oriental que nos diz que a vida não é mais que sofrimento?
Até onde foi a ciência, para lá das estratégias de sobrevivência?
Até onde foi a arte, para lá dos rituais de acasalamento ou das penas dos pavões?
Somos senhores dos nossos destinos, homens e mulheres livres? Ou descobrimos a cada dia, se nos permitirmos isso, a máxima oriental que nos diz que a vida não é mais que sofrimento?
Até onde foi a ciência, para lá das estratégias de sobrevivência?
Até onde foi a arte, para lá dos rituais de acasalamento ou das penas dos pavões?
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