domingo, janeiro 15, 2006

Registo

Jerónimo. 1. Devido às regras do partido... ganhou sempre o salário de metalúrgico. 2. Se, por alguma vez, não tivesse sido reeleito, teria voltado para a fábrica.

terça-feira, janeiro 10, 2006

Agradecimento


(William Turner, "Luz e cor (teoria de Goethe) - A manhã depois do Dilúvio - Moisés escrevendo o Livro do Génesis")

Ao blog Sem Pénis, nem Inveja, pelas palavras simpáticas: muito obrigada!

Ouvido

Num hospital público, um casal de velhotes com apresentação cuidada. O homem:
- Reformas privadas? Seguros de vida? Nós já sabemos como funcionam as seguradoras: ficam-nos com o dinheiro durante anos mas, quando precisamos, nunca podemos contar com elas.

Crítica literária

Palavras para quê?

domingo, janeiro 08, 2006

"Às armas! Às armas!" ou então "Que recurso retórico é este?"

De facto, governos, políticos e os próprios cidadãos parecem continuar a encolher os ombros perante o galopante agravamento da criminalidade. Mas é, talvez, tempo de enfrentar seriamente o problema porque no dizer autorizado de um antigo combatente, está já mais perigoso viver em tempo de paz do que viver em tempo de guerra.

Romance tradicional

Lá se vai o conde Ninho, - seu cavalo vai banhar;
Enquanto o cavalo bebe, - formou-se um lindo cantar:
- Bebe, bebe, ó meu cavalo, - Deus te defenda do mal,
- Ou dos perigos do mundo - e das areias do mar.
- Acorda, bela infanta, - se queres ouvir cantar;
- Ou são os anjos no céu, - ou a sereia no mar.
- Não são os anjos no céu, - ou a sereia no mar,
É ele, o conde Ninho, - que comigo quer casar.
- Se queres casar c'o conde, - eu vo-lo mando matar.
- Se mandais matar o conde, - mandai-me a mim degolar.
Um morre e outro morre, - ambos vão a enterrar.
Um enterram-no à porta, - o outro, ao pé do altar.
Dum nasceu um acipreste, - do outro, um verde laranjal.
Um cresce e outro cresce, - à porta se vêm juntar;
Quando o rei ia prà missa, - 'storvavam-lhe de passar.
Chamou pelos seus criados, - mandou-os arredondar:
Dum saiu uma pombinha, - do outro um pombo trocal.
Um voa e outro voa, - passaram pra além do mar.
Foram-se pousar à mesa, - onde el-rei 'stava a jantar.
Um pica, o outro pica, - ambos no melhor manjar.
Malo haja a rainha - que tal par mandou matar!
Nem na vida, nem na morte, - se puderam apartar.

sábado, janeiro 07, 2006

Alhambra


(fonte)

Provérbio árabe

Aspira ao conhecimento. Se empobreceres, ele será a tua riqueza; se enriqueceres, será o teu adorno.

(in "Provérbios do Mundo"; selecção, tradução e apresentação de José Jorge Letria, Editorial Notícias)

Registo

Angela Merkel, em entrevista ao Der Spiegel: "An institution like Guantanamo can and should not exist in the longer term. Different ways and means must be found for dealing with these prisoners." (via BBC)

quarta-feira, janeiro 04, 2006


(Quint Buchholz)

Intervalo

Quem te disse ao ouvido esse segredo
Que raras deusas têm escutado -
Aquele amor cheio de crença e medo
Que é verdadeiro só se é segredado?...
Quem te disse tão cedo?

Não fui eu, que te não ousei dizê-lo.
Não foi um outro, porque não sabia.
Mas quem roçou da testa teu cabelo
E te disse ao ouvido o que sentia?
Seria alguém, seria?

Ou foi só que o sonhaste e eu te o sonhei?
Foi só qualquer ciúme meu de ti
Que o supôs dito, porque o não direi,
Que o supôs feito, porque o só fingi
Em sonhos que nem sei?

Seja o que for, quem foi que levemente,
A teu ouvido vagamente atento,
Te falou desse amor em mim presente
Mas que não passa do meu pensamento
Que anseia e que não sente?

Foi um desejo que, sem corpo ou boca,
A teus ouvidos de eu sonhar-te disse
A frase eterna, imerecida e louca -
A que as deusas esperam da ledice
Com que o Olimpo se apouca.


(Fernando Pessoa)

V

A minha vitória sobre os cínicos é imaginar de que tipo de descompensação sofrem.