sábado, abril 13, 2019

Raças?


A propósito da horrível ideia da pergunta da raça(*) nos censos de 2021, à terceiro reich, encontrei estes artigos muito interessantes:

Pardos

New Life for the "One Drop" Rule

As census approaches, many Arab Americans feel left out

Indo para a frente com essa ideia, seria preciso saber se a (auto-)categorização tem algumas consequências. Em caso afirmativo, devia ser possível uma auto-determinação rácica, afinal somos todos filhos da Lucy australopiteca africana e deveríamos poder escolher ser, pelo menos filosoficamente, pardos. Se é para haver "affirmative action", então tínhamos de discutir se esta é eficaz nos seus objetivos.

(*) Os racistas censitários de todo o mundo deviam chegar a um acordo sobre que raças existem, porque a confusão é grande (e nem podia ser de outro modo).

quarta-feira, setembro 19, 2018

Malditas praxes

Mais um ano letivo, mais uma temporada de praxes. Com trinta graus, andam com capas de lã e de collants aos berros durante horas e horas, a comprovar a falta de inteligência.

Não haverá por aí voluntários que distribuam panfletos, por exemplo com letras garrafais a lembrar que
  • "A PRAXE MATA",
  • "PARA SERES UM ESTUDANTE COMPLETO NÃO PRECISAS DE PRAXE NENHUMA" ou
  • "A PRAXE É DOS FRACOS"
por essas ovelhas arrebanhadas que nos envergonham?

terça-feira, maio 29, 2018

Porque tenho objeções à eutanásia

Em visita a lares, encontramos pessoas com graus de dependência dentro de uma gama vasta. Entre as que mantêm a lucidez, a depressão é frequente, mas ou menos debelada por anti-depressivos. Pensamentos suicidas são abundantes.

Entre os visitantes mais apressados, há quem comente "o que é que aquele ainda está 'cá' está a fazer?". Para alguns, o limite para haver razão para viver está no conseguir falar, para outros, no conseguir comer pela sua mão, ou andar.

Curiosamente, os doentes oncológicos são dos mais ativos. (Os que estão acamados escapam mais à vista.) É como se se esforçassem por não deixar de 'inscrever' os seus últimos atos, que podem ser simplesmente consolar os que ficam. Entre eles, encontramos o medo da 'escuridão' e da não existência, mas muitas vezes também a flor perene e resiliente chamada esperança. Uma pequenina luz bruxuleante e antiga. O amor à vida.

Como dizer a todos com suficiente firmeza que não estão a "dar trabalho" (não mais do que merecem) e que não é verdade que "já não vale a pena viver" (podemos ser nós a morrer amanhã num acidente de carro, e o planeta está de qualquer modo condenado por políticos insanes)?

*

As leis da eutanásia e do suicídio assistido permitiram, em alguns países, matar crianças, pessoas com disforia sexual arrependidas e centenários deprimidos. A morfina é nossa amiga e não é referido ser das drogas mais caras. É a nossa morte medicamente assistida para os casos dolorosos.

A dignidade do ser humano permanece sempre, até ao fim.

domingo, abril 29, 2018

A assassina medicina portuguesa

"Ainda no outro dia vi uma notícia alarmante que referia que a quarta causa de
morte nos EUA são os erros médicos. [...] Se um camionista tem que parar ao fim de um número de horas e ser substituído, por que é que um médico pode fazer 24 horas seguidas num serviço de urgência?" - José Soares, professor catedrático de Fisiologia, Público de 29/04/2018

quarta-feira, dezembro 27, 2017

Volto da guerra magoada

O primeiro ministro António Costa dizia há dias que 2017 tinha sido um ano particularmente saboroso, o ano em que morreu uma centena de pessoas nos incêndios. Os jornalistas e os políticos não conseguem dizer as duas palavras de "Pedrógão Grande", porque esse grande ou pequeno é a mesma coisa para eles.

A presidente de uma IPSS, Raríssimas, tem o país contra ela porque pagava com o dinheiro da instituição despesas de representação e cursos de gestão, mas leia-se Peter Singer e "O Maior Bem que Podemos fazer". E veja-se quantos familiares empregam instituições mais famosas.

António Guterres é secretário geral das Nações Unidas, mas não deixa de ser o ex-primeiro-ministro do totonegócio. Que moral tem?

Marcelo Rebelo de Sousa está  cada vez mais popular, mas esteve na primeira linha contra as mulheres no primeiro e no segundo referendo sobre o aborto. Que moral tem?

Os administradores de empresas públicas têm vencimentos secretos, complementados com prémios de desempenho de milhões (qualquer que seja o desempenho), mas no metro somos sardinhas ou ficamos a vê-los passar e nas paragens de autocarros não há painel de tempos de espera que funcione. Que moral têm?

As propinas pagam uma fração importante das despesas das universidades, que oferecem massivamente aulas dadas por voluntários ou convidados a custo zero, escolhidos sem concurso público. Onde está a moral?

Volto da guerra magoada.

sexta-feira, junho 16, 2017

Lombadas

Espanta-me sempre que uma espécie animal que soube instituir o formato A4 internacionalmente (e instituiu acordos climáticos, mesmo que só por alguns meses) não se pôs de acordo sobre para que lado escrever nas lombadas dos livros. Se fosse ditadora (esclarecida), seria de baixo para cima, para ler bem numa estante, entre muitos livros.

Fim aos torcicolos provocados por lombadas!

Wikipédia em 16 de junho de 2017

Inglês    5 419 000 artigos
Alemão    2 068 000 artigos
Francês   1 876 000 artigos
Russo     1 398 000 artigos
Espanhol  1 338 000 artigos
Italiano  1 361 000 artigos
Polaco    1 226 000 artigos
Japonês   1 063 000 artigos
Português   970 000 artigos
Chinês      945 000 artigos

sábado, junho 03, 2017

Açúcar por defeito

O adoçante deve ter encarecido na medida inversa em que o petróleo embarateceu ou então é a taxa do açúcar que não é suficientemente inequívoca porque, nos dias que correm, quando se pede um café, ele vem invariavelmente com um pacote de açúcar ao lado. Não interessa que Portugal esteja no pelotão da frente da diabetes. O Sr. Diretor Geral da Saúde, que parece ser um humanista competente, deveria ir mais vezes visitar os serviços de cirurgia nos nossos hospitais e parar junto dos inúmeros amputados. Talvez então lhe ocorresse que uma campanha de prevenção, como a úbiqua "Manger, bouger" em França, e em particular uma focada no açúcar, seria muitíssimo pertinente.

quarta-feira, maio 24, 2017

Transsexuais fora do armário?

Se para uma parte da comunidade homossexual é muito importante o sair do armário, e conhecemos cada vez mais pessoas no meio artístico que se assumiram enquanto tal, o mesmo não se passa com os transsexuais. Só um ou outro aparecem em reportagens, e nenhuma figura pública é conhecida. (E, no entanto, há casos curiosos, em que parecem não ter feito ainda as cirurgias todas.)

Mulheres em visita ao Papa sem véu preto nem branco



terça-feira, maio 23, 2017

O que é uma mulher?


Lê-se num jornal que podem ser precisas quarenta cirurgias para mudar de sexo. Entre estas, há "cirurgias de feminização facial — a fazer desgaste ósseo da testa, avanço do couro cabeludo, levantamento das sobrancelhas, aumento das maçãs do rosto, suavização da maçã de Adão, rinoplastia. Ninguém pode mudar a largura dos ombros ou o tamanho das mãos. E há que eliminar pêlos e modelar a voz."

sábado, maio 20, 2017

Benção dos finalistas

Todos os anos, um espetáculo grotesco ocorre em Lisboa (e, presumo, em todas as cidades universitárias portuguesas): a benção dos finalistas. Uma autoridade da igreja católica benze uma multidão de "finalistas" (podem acabar o curso num futuro ano letivo; que diferença faz?) em capas pretas e famílias embevecidas e a benzer-se.

Ou seja, dois elementos que nada têm que ver com a universidade e o conhecimento, a igreja e o universo das tunas e das praxes, ocupam o espaço público, assim se legitimando. (Galileu Galilei há-de dar voltas no túmulo com a apropriação da igreja.)

Por que é que as universidades portuguesas não têm cerimónias de formatura, como as que se veem nos filmes americanos? Com reitores, entrega de diplomas e, já agora, sem falsas tradições? Ministro Manuel Heitor? Reitores? Alguém?

1536: instrução pública obrigatória


A 21 de maio de 1536 Genebra adotou, por voto do seu Conselho geral, a obrigação de os pais de enviarem os filhos à escola.

Trans: estado da arte

1) LGBTQIAPK: Lesbian, Gay, Bisexual, Transgender, Queer, Intersexual, Asexual, Pansexual and Polygamous, and Kinkiness

2) Os transgénero querem poder mudar de sexo sem ter de consultar um psicólogo. O movimento LGBTetc quer que a disforia de género deixe de ser considerada doença mental. Não entendo: se alguém achar que é um elefante (ou qualquer outra coisa que não é), isso não é uma doença?

3) "UCLA's Williams Institute estimates that there are 1.4 million Americans who are transgender, translating to 0.6% of the overall population. In this study, 80% of participants were transgender women (those who had been assigned the male sex at birth but identify as female). The participants reported becoming aware they were transgender at a mean age of five years old." (Time)

4) "Médicos ajudam eutanásia de transexual após mudança de sexo fracassada", 2 outubro de 2013 (BBC)

Retalhos da Vida de Um Médico

Letra: José Carlos Ary dos Santos
Interpretação: Carlos do Carmo


Serras, veredas, atalhos,
Fragas e estradas de vento,
Onde se encontram retalhos
De vidas em sofrimento

Retalhos fundos nos rostos,
Mãos duras e retalhadas
Pelo suor do desgosto,
Que talha as caras fechadas

O caminho que seguiste,
Entre gente pobre e rude,
Muitas vezes tu abriste
Uma rosa de saúde

[refrão]
Cada história é um retalho
Cortado no coração
Dum homem que no trabalho
Reparte a vida e o pão
As vidas que defendeste,
E o pão que repartiste,
São água que tu bebeste
Dos olhos dum povo triste

E depois de tanto mundo,
Retalhado de verdade,
Também tu chegaste ao fundo
Da doença da cidade

Da que não vem na sebenta,
Daquela que não se ensina,
Da pobreza que afugenta
Os barões da medicina

Tu sabes quanto fizeste,
A miséria não segura,
Nem mesmo quando lhe deste
A receita da ternura

[refrão]
Cada história é um retalho
Cortado no coração
Dum homem que no trabalho
Reparte a vida e o pão
As vidas que defendeste,
E o pão que repartiste,
São a esperança que aprendeste
Dos olhos dum povo triste

[refrão]
Cada história é um retalho
Cortado no coração
Dum homem que no trabalho
Reparte a vida e o pão
As vidas que defendeste,
E o pão que repartiste,
São a esperança que aprendeste
Nos olhos dum povo triste

sexta-feira, maio 19, 2017

"Cucurrucucu Paloma", de Caetano Veloso

Caetano Veloso ou quem o representa fez uma excelente promoção no Youtube de dois álbuns espetaculares ("Fina Estampa" e "Prenda Minha"). Contribui humildemente para o peditório, comprando os dois.

"Cucurrucucu Paloma", integrado no álbum "Fina Estampa" é daquelas canções que consigo ouvir dezenas de vezes, de tão bela. (E apesar estar num filme de Álmodovar particularmente desafiante para mim, "Hable Con Ella".)

Não há muitos artistas de língua portuguesa tão geniais como Caetano. É relevante se canta em português? Não.

Amar pelos dois

Fiquei muito contente com a vitória dos irmãos Sobral e de Portugal no Festival da Eurovisão. Já cantarolei a canção umas quantas vezes, até porque é dessas que se cola ao ouvido e à cabeça.

As versões em várias línguas que vemos no Youtube mostram como a melodia do tipo "balada da Disney" é na verdade uma típica balada de festival da Eurovisão, e a interpretação jazzística é que lhe deu mais algum valor. (Mas o jazz é assim tão original hoje, depois de tantas décadas de experimentação? A influência brasileira, que não sei explicar, é que está muito bem.)

O tema do amor (perdido) é como os pôres-do-sol. Sempre iguais, e sempre parte nova da experiência humana, geração após geração. Valeu a letra não ter uma métrica manhosa, tão comum nos cantautores de hoje em dia, que também cantam banalidades a soar a anos 70, mas que pensam que são Mozarts. A situação do narrador da letra da canção, de deixar de ser amado e querer convencer a outra parte a dar-lhe mais uma oportunidade... tem que se lhe diga.

O Salvador Sobral diz que nunca viu um festival da canção, mas é difícil de acreditar, tendo em conta que, entre os dois irmãos, houve três participações em concursos musicais em televisão, além de terem um percurso académico e profissional (?) ligado à música. (Também começou por dizer que não estava nas redes sociais, para acabar por admitir que tinha estado viciado no Facebook, que via várias vezes ao dia no seu iPhone...) Enfim, se não houvesse festivais da Eurovisão ("o maior acontecimento musical do planeta"), talvez não tivessem existido os Abba como existiram, e todas as "boas vibrações" que trouxeram ao mundo, e seria uma pena.

Valeu a simpatia e moderado talento dos irmãos, além da impressionante condição de saúde do Salvador.

Houve outras boas canções (de plástico?) portuguesas nos festivais, pelo menos entre 1964 (António Calvário, "Oração") e 1994 (Sara Tavares, "Chamar a Música"). A canção da Lúcia Moniz passou-me completamente ao lado.

quinta-feira, maio 18, 2017