sexta-feira, junho 16, 2017

Lombadas

Espanta-me sempre que uma espécie animal que soube instituir o formato A4 internacionalmente (e instituiu acordos climáticos, mesmo que só por alguns meses) não se pôs de acordo sobre para que lado escrever nas lombadas dos livros. Se fosse ditadora (esclarecida), seria de baixo para cima, para ler bem numa estante, entre muitos livros.

Fim aos torcicolos provocados por lombadas!

Wikipédia em 16 de junho de 2017

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sábado, junho 03, 2017

Açúcar por defeito

O adoçante deve ter encarecido na medida inversa em que o petróleo embarateceu ou então é a taxa do açúcar que não é suficientemente inequívoca porque, nos dias que correm, quando se pede um café, ele vem invariavelmente com um pacote de açúcar ao lado. Não interessa que Portugal esteja no pelotão da frente da diabetes. O Sr. Diretor Geral da Saúde, que parece ser um humanista competente, deveria ir mais vezes visitar os serviços de cirurgia nos nossos hospitais e parar junto dos inúmeros amputados. Talvez então lhe ocorresse que uma campanha de prevenção, como a úbiqua "Manger, bouger" em França, e em particular uma focada no açúcar, seria muitíssimo pertinente.

quarta-feira, maio 24, 2017

Transsexuais fora do armário?

Se para uma parte da comunidade homossexual é muito importante o sair do armário, e conhecemos cada vez mais pessoas no meio artístico que se assumiram enquanto tal, o mesmo não se passa com os transsexuais. Só um ou outro aparecem em reportagens, e nenhuma figura pública é conhecida. (E, no entanto, há casos curiosos, em que parecem não ter feito ainda as cirurgias todas.)

Mulheres em visita ao Papa sem véu preto nem branco



terça-feira, maio 23, 2017

O que é uma mulher?


Lê-se num jornal que podem ser precisas quarenta cirurgias para mudar de sexo. Entre estas, há "cirurgias de feminização facial — a fazer desgaste ósseo da testa, avanço do couro cabeludo, levantamento das sobrancelhas, aumento das maçãs do rosto, suavização da maçã de Adão, rinoplastia. Ninguém pode mudar a largura dos ombros ou o tamanho das mãos. E há que eliminar pêlos e modelar a voz."

sábado, maio 20, 2017

Benção dos finalistas

Todos os anos, um espetáculo grotesco ocorre em Lisboa (e, presumo, em todas as cidades universitárias portuguesas): a benção dos finalistas. Uma autoridade da igreja católica benze uma multidão de "finalistas" (podem acabar o curso num futuro ano letivo; que diferença faz?) em capas pretas e famílias embevecidas e a benzer-se.

Ou seja, dois elementos que nada têm que ver com a universidade e o conhecimento, a igreja e o universo das tunas e das praxes, ocupam o espaço público, assim se legitimando. (Galileu Galilei há-de dar voltas no túmulo com a apropriação da igreja.)

Por que é que as universidades portuguesas não têm cerimónias de formatura, como as que se veem nos filmes americanos? Com reitores, entrega de diplomas e, já agora, sem falsas tradições? Ministro Manuel Heitor? Reitores? Alguém?

1536: instrução pública obrigatória


A 21 de maio de 1536 Genebra adotou, por voto do seu Conselho geral, a obrigação de os pais de enviarem os filhos à escola.

Trans: estado da arte

1) LGBTQIAPK: Lesbian, Gay, Bisexual, Transgender, Queer, Intersexual, Asexual, Pansexual and Polygamous, and Kinkiness

2) Os transgénero querem poder mudar de sexo sem ter de consultar um psicólogo. O movimento LGBTetc quer que a disforia de género deixe de ser considerada doença mental. Não entendo: se alguém achar que é um elefante (ou qualquer outra coisa que não é), isso não é uma doença?

3) "UCLA's Williams Institute estimates that there are 1.4 million Americans who are transgender, translating to 0.6% of the overall population. In this study, 80% of participants were transgender women (those who had been assigned the male sex at birth but identify as female). The participants reported becoming aware they were transgender at a mean age of five years old." (Time)

4) "Médicos ajudam eutanásia de transexual após mudança de sexo fracassada", 2 outubro de 2013 (BBC)

Retalhos da Vida de Um Médico

Letra: José Carlos Ary dos Santos
Interpretação: Carlos do Carmo


Serras, veredas, atalhos,
Fragas e estradas de vento,
Onde se encontram retalhos
De vidas em sofrimento

Retalhos fundos nos rostos,
Mãos duras e retalhadas
Pelo suor do desgosto,
Que talha as caras fechadas

O caminho que seguiste,
Entre gente pobre e rude,
Muitas vezes tu abriste
Uma rosa de saúde

[refrão]
Cada história é um retalho
Cortado no coração
Dum homem que no trabalho
Reparte a vida e o pão
As vidas que defendeste,
E o pão que repartiste,
São água que tu bebeste
Dos olhos dum povo triste

E depois de tanto mundo,
Retalhado de verdade,
Também tu chegaste ao fundo
Da doença da cidade

Da que não vem na sebenta,
Daquela que não se ensina,
Da pobreza que afugenta
Os barões da medicina

Tu sabes quanto fizeste,
A miséria não segura,
Nem mesmo quando lhe deste
A receita da ternura

[refrão]
Cada história é um retalho
Cortado no coração
Dum homem que no trabalho
Reparte a vida e o pão
As vidas que defendeste,
E o pão que repartiste,
São a esperança que aprendeste
Dos olhos dum povo triste

[refrão]
Cada história é um retalho
Cortado no coração
Dum homem que no trabalho
Reparte a vida e o pão
As vidas que defendeste,
E o pão que repartiste,
São a esperança que aprendeste
Nos olhos dum povo triste

sexta-feira, maio 19, 2017

"Cucurrucucu Paloma", de Caetano Veloso

Caetano Veloso ou quem o representa fez uma excelente promoção no Youtube de dois álbuns espetaculares ("Fina Estampa" e "Prenda Minha"). Contribui humildemente para o peditório, comprando os dois.

"Cucurrucucu Paloma", integrado no álbum "Fina Estampa" é daquelas canções que consigo ouvir dezenas de vezes, de tão bela. (E apesar estar num filme de Álmodovar particularmente desafiante para mim, "Hable Con Ella".)

Não há muitos artistas de língua portuguesa tão geniais como Caetano. É relevante se canta em português? Não.

Amar pelos dois

Fiquei muito contente com a vitória dos irmãos Sobral e de Portugal no Festival da Eurovisão. Já cantarolei a canção umas quantas vezes, até porque é dessas que se cola ao ouvido e à cabeça.

As versões em várias línguas que vemos no Youtube mostram como a melodia do tipo "balada da Disney" é na verdade uma típica balada de festival da Eurovisão, e a interpretação jazzística é que lhe deu mais algum valor. (Mas o jazz é assim tão original hoje, depois de tantas décadas de experimentação? A influência brasileira, que não sei explicar, é que está muito bem.)

O tema do amor (perdido) é como os pôres-do-sol. Sempre iguais, e sempre parte nova da experiência humana, geração após geração. Valeu a letra não ter uma métrica manhosa, tão comum nos cantautores de hoje em dia, que também cantam banalidades a soar a anos 70, mas que pensam que são Mozarts. A situação do narrador da letra da canção, de deixar de ser amado e querer convencer a outra parte a dar-lhe mais uma oportunidade... tem que se lhe diga.

O Salvador Sobral diz que nunca viu um festival da canção, mas é difícil de acreditar, tendo em conta que, entre os dois irmãos, houve três participações em concursos musicais em televisão, além de terem um percurso académico e profissional (?) ligado à música. (Também começou por dizer que não estava nas redes sociais, para acabar por admitir que tinha estado viciado no Facebook, que via várias vezes ao dia no seu iPhone...) Enfim, se não houvesse festivais da Eurovisão ("o maior acontecimento musical do planeta"), talvez não tivessem existido os Abba como existiram, e todas as "boas vibrações" que trouxeram ao mundo, e seria uma pena.

Valeu a simpatia e moderado talento dos irmãos, além da impressionante condição de saúde do Salvador.

Houve outras boas canções (de plástico?) portuguesas nos festivais, pelo menos entre 1964 (António Calvário, "Oração") e 1994 (Sara Tavares, "Chamar a Música"). A canção da Lúcia Moniz passou-me completamente ao lado.