terça-feira, maio 09, 2017

Como ler mais livros

Elle Kaplan

Já o disse muitas vezes: ler livros é um ingrediente essencial do sucesso. Os multi-milionários e bem-sucedidos como Bill Gates e Elon Musk dedicam uma quantidade excepcional do seu tempo à leitura. Musk atribui mesmo o seu conhecimento de como construir foguetes ao seu repertório de leitura, e estudos demonstraram que ler pode reduzir o stress, aumentar a concentração e melhorar a memória de longo e de curto prazo.

Os benefícios de trabalhar os seus músculos da leitura são claros. Mas ler consome tempo e para um profissional ocupado é quase impossível, quer encontrar tempo para ler, quer manter-se suficientemente concentrado para colher os frutos quando os prazos começam a acumular-se.

Felizmente, especialistas da Harvard Business Review (entre alguns outros) descobriram alguns conselhos para assegurar não só que torna a leitura um hábito diário, como que é capaz de aumentar radicalmente a quantidade que lê e os frutos que colhe.

Leia sete formas práticas de melhorar os seus hábitos de leitura à medida que o tempo passa:


1. Convença-se de que não faz mal desistir


Por vezes começo um livro, apenas para descobrir que não estou realmente a apreciá-lo ou a encontrar muito sentido nele - mas "faço o esforço" de qualquer modo, porque não quero ser um desistente.

Gretchen Rubin, autor do livro best-seller "The Happiness Project" e especialista em hábitos da Harvard Business Review descobriu que esta mentalidade segundo a qual os "vencedores não desistem" provavelmente não resulta para o seu hábito de leitura.

Como Rubin refere, desistir cedo dá-lhe "Mais tempo para ler bons livros! Menos tempo a ler livros por um sentido de dever". Pense nisto desta forma - são publicados cerca de 50.000 livros todos os anos. Por quê gastar tempo com livros de que não gosta?

Se realmente não gosta de um romance, liberte-se da culpa e desista dele.


2. Há minutos escondidos por todo o lado


Stephen King, que atribui à leitura muito do seu incrível sucesso como autor, terá dito a pessoas para ler cerca de cinco horas por dia se quiserem seguir as suas pisadas.

Como empresário muito ocupado, comecei por rir desta ideia. Isto até que a HBR chamou a atenção para o quanto King lê em trânsito, ou fora de casa. Considerem todas as vezes em que ele foi visto a ler nos jogos de Red Sox, por exemplo.

Para o passeante médio, pode parecer loucura puxar de um livro em Fenway Park. Mas se soubessem que esse mesmo hábito ajudou King a vender mais de 350 milhões de livros, poderiam sentir-se inclinados a trazer um livro de bolso da próxima vez.

Como Parisha diz, "Há minutos escondidos em todos os cantos do dia, e eles somam um total de muitos minutos." Não estou a dizer que deve puxar de um romance na cerimónia de casamento da sua irmã, mas há pequenas oportunidades para ler quase em todo o lado.


3. Fique calado

A ciência mostra que partilhar as suas intenções com outros quando está a trabalhar para uma tarefa ou objetivo pode ricochetear, e torná-lo menos capaz de ser bem sucedido.

Um estudo de 2009 descobriu que quando estudantes que queriam tornar-se psicólogos escreviam atividades que os ajudavam a conseguir esse objetivo e o partilhavam com o investigador, tornava-se menos provável que se envolvessem nessas atividades. O grupo de controlo que não partilhou a sua lista de atividade pretendidas com o investigador passou muito mais tempo a desenvolver essas atividades.

Quando as pessoas partilham o seu objetivo, sentem menos motivação para trabalhar afincadamente. Por isso, se está determinado a ler mais livros, exprima o seu objetivo e os seus passos para lá chegar - escreva-os mesmo - mas mantenha-os para si.


4. Limite as distrações


Neil Pasricha fez isto acontecer na sua casa pondo a televisão na cave e a estante em lugar de destaque. De acordo com a HBR, Pasricha inspirou-se na famosa experiência do psicólogo Roy Baumeister "do bolo de pepitas de chocolate e do rabanete".

Foi pedido a cobaias humanas esfomeadas para completarem um puzzle complicado e a algumas não foi dada comida, enquanto a outras foram dados bolos (e foi-lhes dito para não os comerem). Sem surpresa, o grupo dos bolos desistiu mais cedo - era o grupo que tinha gasto toda a sua força de vontade a manter-se afastado dos bolos.


5. Leia livros físicos


O mesmo conselho sobre a limitação das distrações pode ser aplicado em grande parte ao favorecimento de livros físicos em detrimento de leitores digitais. Ter um pedaço tangível de material de leitura na sua mão - em vez de um dispositivo ligado à internet onde pode também verificar o seu email ou ver receitas no Pinterest - pode limitar a distração e poupar na necessária força de vontade.

Mas limitar as distrações é apenas uma das razões para favorecer os livros físicos relativamente a romances eletrónicos. Numa era em que todo o nosso entretenimento e canais profissionais se estão a mover para o ecrã, segurar um livro na mão é um bom tónico mental.


6. Mude de atitude

O estratega dos média e autor Ryan Holiday enfatiza que mudar a forma como pensa sobre a leitura é a chave para ler mais. "Precisa de parar de pensar nela como 'uma atividade que faz'... tem de tornar-se tão natural para si como comer e respirar. Não é uma coisa que faça porque lhe apetece, mas porque é um reflexo, um padrão", refere.

Para os bem-sucedidos, um sonho não é alcançado deliberando sobre como alcançá-lo, mas é antes um desejo específico, bem concebido, que acontece sempre. Pode fazer isto hoje tornando os seus hábitos de leitura em objetivos específicos no tempo, e colocando-os no topo da sua lista de prioridades todos os dias.


7. Procure listas organizadas

A fadiga associada à decisão é uma coisa bem real, e pode consumir a sua força de vontade ao tentar adotar novos hábitos como o hábito da leitura.

O esforço hercúleo de passar por milhares de novos livros a cada ano pode consumir o seu poder mental antes que efetivamente leia uma página - e é por essa razão que a HBR recomenda que encontre listas de livros organizadas.

Felizmente, mega-magnatas como Bill Gates e Mark Zuckerberg não são tímidos a partilhar as suas listas de leitura. Com alguns minutos de pesquisa no Google, pode seguir os hábitos de leitura dos grandes.

Talvez não consigamos todos ler 500 páginas por dia como Warren Buffett, ou terminar 50 livros por ano como Bill Gates. Mas pode comprometer-se a usar estes conselhos para ler mais livros este ano, aumentar a sua disponibilidade para absorver informação, e beneficiar das vantagens científicas que a leitura pode trazer.

(Fonte: Quartz)

Última crónica de Baptista-Bastos

Um grande escritor


Para Manuel da Fonseca, a literatura era um sonho de viver.

Por Baptista-Bastos | 08.03.17

Recordo muitas vezes o meu amigo, o seu sorriso triste, a palavra rápida, a percepção imediata das coisas, a coragem inaudita; e, também, a sua abalada ternura pelos companheiros, as melancólica confissões. Manuel da Fonseca, um dos maiores escritores de sempre da literatura portuguesa, o mais felino dos sarcastas e o mais generoso dos amigos.

Havia, nele, a placidez dos grandes sonhos e a nobreza de olhar os camaradas com o respeito que eles, muitas vezes, não mereciam. Para ele, a literatura era um sonho de viver, e feria-o quando, aparentemente, o ignoravam. Passou, há dias, o aniversário da sua morte, recolhido ao Alentejo que escrevera como ninguém, num fulgor magoado e com o olhar enevoado de desgostos.

‘O Fogo e as Cinzas’, admirável livro de contos, cuja organização se deve a Carlos de Oliveira, à mulher deste, Maria Ângela de Oliveira, e a José Gomes Ferreira, é um trabalho de amor e uma doação ao espírito daqueles tempos. Outros grandes títulos do grande autor; ‘Seara de Vento’, ‘Cerromaior’, filmado por Luís Filipe Rocha com a paixão devida, e outros mais.

Certo dia, sabedor de que o meu amigo andava de dinheiro em baixo, falei com Francisco Pinto Balsemão para a entrada de Manuel da Fonseca como colaborador do jornal onde eu era redactor. E assim nasceram crónicas admiráveis, que eu editava no suplemento de domingo, sob o título ‘Pessoas na Paisagem’, uma experiência que me deu grande felicidade. Pontualmente, o meu velho amigo publicou, durante anos, sem uma falha, um texto ímpar que falava do seu Alentejo com a grandeza imaculada de quem escreve sobre o que ama.

Estive, agora, a reler o grande escritor, com a emoção de quem está, de novo, a ouvi-lo e à sua voz pausada e lenta, revendo os seus olhos pequenos e vivos, recordando a sua lúcida atenção às coisas, aos homens e ao seu tempo. Mas, sobretudo, recordando a amizade e o afecto, de que sinto a falta.

(hiperligação)

quinta-feira, maio 04, 2017

Lisboa não é francesa

Venho aqui lamentar-me por três prédios com recuperações falhadas em Lisboa.

1. Tenho especial estima pela Rua Braamcamp, onde brinquei nuns baloiços de um terraço quando era criança. Qual não foi o meu espanto quando vi aquele grande prédio azul claro com decorações rococó em branco a ser recuperado com um acrescento envidraçado de mais alguma altura do que o prédio tinha originalmente. Decididamente, era feio e batoteiro, aquele acrescento. Depois veio a saber-se que José Sócrates e a mãe (e um amigo?) tinham comprado andares nesse prédio recuperado.

2. A Avenida da Liberdade é um desconsolo pela desarmonia entre os prédios. Se podíamos sonhar estar nos Champs Elisées olhando para as carreiras de árvores (maravilhosas!), os prédios tiravam-nos logo as dúvidas. Há alguns anos apareceu na avenida um prédio baixo renovado, pintado de verde garrido. O rés-do-chão estava ocupado com uma ótica. Era, de longe, o prédio mais feio da avenida.

3. Na Avenida da República, durante vários anos, houve uma esquina em obras, sempre com um polícia por perto. Ao que parece, fizeram um grande parque de estacionamento por baixo do edifício, que agora aceita avenças de parqueamento em várias modalidades. O edifício é agora um hotel de quatro estrelas. Foi repetida a graça do edifício azul da Rua Braamcamp; vários andares envidraçados foram acrescentados ao edifício original. Como se não bastasse, há uma espécie de autocolante com a cara gigante de uma pretensa estrela dos anos dourados de Hollywood, que em nada embeleza o edifício.

Não percebo. Não há quem tome conta do aspeto das maiores artérias da nossa capital?

quarta-feira, maio 03, 2017

Dificuldades em Lisboa

Onde é que Lisboa se pode tomar um café com um croissant folhado a sério (pur beurre) e com internet sem interrupções (e com ssh)?

A outra face da moeda do "envelhecimento ativo"

A idade da reforma, para além de ser um instrumento indireto do Estado para cortar os valores das reformas, tem um racional baseado na renovação das gerações no mercado de trabalho e na prevenção dos efeitos da senilidade. (E também no auxílio à velhice e no reconhecimento do direito ao descanso no fim da vida.)

Os que insistem em trabalhar quando têm mais de setenta anos prejudicam objetivamente os potenciais trabalhadores que engrossam o desemprego jovem e o precariado.

Além disso, quando o serviço nacional de saúde nos impõe médicos voluntários com mais de setenta anos (o que demonstra, para quem dúvidas tenha, que não há excesso de médicos), ninguém está seguro.

Escola++

Algumas aptidões que a escola não me ensinou e podia ter ensinado:
- escrever fluentemente;
- falar em público;
- desenhar;
- tocar um instrumento musical;
- uma terceira língua estrangeira;
- desembaraçar cabos ou fios longos.

terça-feira, maio 02, 2017

Maia

Pelo incitamento em Santarém (queriam vir oitocentos e só havia lugar para muitos menos), por ter enfrentado uma arma do inimigo junto ao Terreiro do Paço, a morder o lábio, por ser pivot nas negociações que acabaram sem violência, por não querer protagonismo, por ter morrido novo, por a viúva ter sido desconsiderada (por Cavaco), e por Otelo ter perdido o pé. Sim, é Salgueiro Maia, Fernando José Salgueiro Maia, o herói maior. (E o povo português, que tanto suportou, e finalmente se recusou a ir morrer por um colonialismo sem futuro.)

Pássaro e flores

Hua Yan (1682-1756)

segunda-feira, maio 01, 2017

Sourate 2: AL-BAQARAH

(LA VACHE)

Au nom d'Allah, le Tout Miséricordieux, le Très Miséricordieux. 1. Alif, Lâm, Mîm (cette sourate, comme d'autres, commence par des lettres arabes connues, afin de démontrer que bien que le Coran soit composé de simples lettres, nul ne peut produire de tels versets. C'est l'un des miracles du Coran). 2. Voici le Livre (le Coran) sur lequel il n'y a aucun doute, c'est un guide pour les pieux (qui craignent leur Seigneur Allah). 3. Ceux qui croient à l'invisible, accomplissent la prière (Salât) et dépensent de ce que Nous leur avons attribué [dans l'obéissance à Allah] 4. Ceux qui croient en ce qui t'a (a toi, Muhammad) eté révélé (le Coran) et en ce qui a été révélé avant toi (la Torah et l'Évangile), et qui croient fermement à la vie future. 5. Ceux-là sont sur le bon chemin de leur Seigneur, et ce sont eux qui réussissent (dans cette vie et dans la vie future). 6. Il est égal pour les mécréants que tu (Muhammad) les avertisses ou que tu ne les avertisses pas; ils ne croient pas. 7. Allah a scelllé leurs coeurs et leurs oreilles; un voile leur couvre la vue et ils auront un grand châtiment. [...]

(Le Noble Coran)

O esboroamento da memória

Volta-se a este meio após uns anos de afastamento, e tudo está mudado. Descobri há pouco que acabou também o weblog.com.pt e todos os blogs lá alojados.

Lição: não confiar em empresas pequenas de alojamento. E acreditar que o Google vai durar um pouco mais. (O fim do Yahoo! já foi anunciado há dias...)

Gerações

Não bastando os recém-doutorados que dão aulas de graça em universidades, agora também há professores jubilados a fazê-lo. Ao mesmo tempo, os mais brilhantes são forçados a emigrar ou a manter-se emigrados. Os lugares em causa não são os mesmo? Só por vezes não são.

sábado, abril 29, 2017

Alguma areia para as engrenagens

"[A] liquidez dos activos financeiros torna-os potencialmente negativos para o resto da economia. Construir uma fábrica demora pelo menos alguns meses, senão mesmo anos, enquanto para acumular os conhecimentos práticos tecnológicos e organizacionais necessários para formar uma empresa de nível mundial são necessárias décadas. Pelo contrário, os activos financeiros podem ser transferidos e reorganizados em minutos, senão mesmo segundos. Esta enorme diferença cria problemas muito importantes, porque o capital financeiro é «impaciente» e procura obter ganhos de curto prazo [...]. No curto prazo, esta tendência cria instabilidade económica, pois o capital líquido espalha-se por todo o mundo quase sem aviso prévio e de formas «irracionais», como temos visto recentemente. Mais importante é o facto de, no longo prazo, gerar um fraco crescimento da produtividade, porque o investimento de longo prazo é cortado para satisfazer o capital impaciente. Em resultado disto, apesar do grande progresso no «aprofundamento financeiro» (ou seja, o aumento no rácio entre os activos financeiros e o PIB), o crescimento tem, na verdade, desacelerado nos últimos anos [...].

Assim, precisamente porque é eficiente a responder a novas oportunidades de lucro, o mundo financeiro pode tornar-se prejudicial para o resto da economia. E foi por isso que James Tobin, laureado com o Prémio [Nobel] da Economia em 1981, falou na necessidade de «atirar alguma areia para as engrenagens dos nossos excessivamente eficientes mercados monetários internacionais». Assim, ele propôs um imposto sobre as transacções financeiras, com o objectivo deliberado de reduzir a velocidade dos fluxos financeiros. Até há pouco tempo tema tabu nos círculos educados, o chamado imposto Tobin foi recentemente defendido por Gordon Brown, primeiro-ministro britânico. Todavia, o imposto Tobin não é a única forma de reduzir a diferença de velocidade entre o mundo financeiro e a economia real. Entre outras alternativas, há a possibilidade de dificultar as aquisições hostis (reduzindo, por conseguinte, os ganhos dos investimentos especulativos em acções), proibir a venda curta (a prática de vender acções que não se possui no momento da venda), aumentar os requisitos de margem (ou seja, a percentagem que tem de ser paga à cabeça quando se compram acções) ou a criação de restrições aos movimentos transfronteiriços de capital, especialmente para países em desenvolvimento."

 ("23 coisas que nunca lhe contam sobre a Economia", Ha-Joon Chang)

sexta-feira, abril 28, 2017

Coisa 18 [Regulação]

"Karl Marx descreveu a restrição da liberdade empresarial por parte do Estado, em nome do interesse colectivo da classe capitalista, como a actuação do "comité executivo da burguesia". Todavia, não é necessário ser-se marxista para perceber que as leis que restringem a actuação individual das empresas podem promover o interesse colectivo da totalidade do sector empresarial, já para não falar da nação como um todo. Por outras palavras, muitas leis são favoráveis - não prejudiciais - aos negócios. Boa parte delas ajuda a preservar o conjunto comum de recursos que todas as empresas partilham, enquanto outras contribuem positivamente para os negócios levando as empresas a fazer coisas que aumentam a produtividade colectiva no longo prazo. Apenas quando reconhecermos isto seremos capazes de entender que o que interessa não é a quantidade absoluta de leis, mas os objectivos e os conteúdos das mesmas."

("23 coisas que nunca lhe contam sobre a Economia", Ha-Joon Chang)