Venho aqui lamentar-me por três prédios com recuperações falhadas em Lisboa.
1. Tenho especial estima pela Rua Braamcamp, onde brinquei nuns baloiços de um terraço quando era criança. Qual não foi o meu espanto quando vi aquele grande prédio azul claro com decorações rococó em branco a ser recuperado com um acrescento envidraçado de mais alguma altura do que o prédio tinha originalmente. Decididamente, era feio e batoteiro, aquele acrescento. Depois veio a saber-se que José Sócrates e a mãe (e um amigo?) tinham comprado andares nesse prédio recuperado.
2. A Avenida da Liberdade é um desconsolo pela desarmonia entre os prédios. Se podíamos sonhar estar nos Champs Elisées olhando para as carreiras de árvores (maravilhosas!), os prédios tiravam-nos logo as dúvidas. Há alguns anos apareceu na avenida um prédio baixo renovado, pintado de verde garrido. O rés-do-chão estava ocupado com uma ótica. Era, de longe, o prédio mais feio da avenida.
3. Na Avenida da República, durante vários anos, houve uma esquina em obras, sempre com um polícia por perto. Ao que parece, fizeram um grande parque de estacionamento por baixo do edifício, que agora aceita avenças de parqueamento em várias modalidades. O edifício é agora um hotel de quatro estrelas. Foi repetida a graça do edifício azul da Rua Braamcamp; vários andares envidraçados foram acrescentados ao edifício original. Como se não bastasse, há uma espécie de autocolante com a cara gigante de uma pretensa estrela dos anos dourados de Hollywood, que em nada embeleza o edifício.
Não percebo. Não há quem tome conta do aspeto das maiores artérias da nossa capital?
quinta-feira, maio 04, 2017
quarta-feira, maio 03, 2017
Dificuldades em Lisboa
Onde é que Lisboa se pode tomar um café com um croissant folhado a sério (pur beurre) e com internet sem interrupções (e com ssh)?
A outra face da moeda do "envelhecimento ativo"
A idade da reforma, para além de ser um instrumento indireto do Estado para cortar os valores das reformas, tem um racional baseado na renovação das gerações no mercado de trabalho e na prevenção dos efeitos da senilidade. (E também no auxílio à velhice e no reconhecimento do direito ao descanso no fim da vida.)
Os que insistem em trabalhar quando têm mais de setenta anos prejudicam objetivamente os potenciais trabalhadores que engrossam o desemprego jovem e o precariado.
Além disso, quando o serviço nacional de saúde nos impõe médicos voluntários com mais de setenta anos (o que demonstra, para quem dúvidas tenha, que não há excesso de médicos), ninguém está seguro.
Os que insistem em trabalhar quando têm mais de setenta anos prejudicam objetivamente os potenciais trabalhadores que engrossam o desemprego jovem e o precariado.
Além disso, quando o serviço nacional de saúde nos impõe médicos voluntários com mais de setenta anos (o que demonstra, para quem dúvidas tenha, que não há excesso de médicos), ninguém está seguro.
Escola++
Algumas aptidões que a escola não me ensinou e podia ter ensinado:
- escrever fluentemente;
- falar em público;
- desenhar;
- tocar um instrumento musical;
- uma terceira língua estrangeira;
- desembaraçar cabos ou fios longos.
- escrever fluentemente;
- falar em público;
- desenhar;
- tocar um instrumento musical;
- uma terceira língua estrangeira;
- desembaraçar cabos ou fios longos.
terça-feira, maio 02, 2017
Maia
Pelo incitamento em Santarém (queriam vir oitocentos e só havia lugar para muitos menos), por ter enfrentado uma arma do inimigo junto ao Terreiro do Paço, a morder o lábio, por ser pivot nas negociações que acabaram sem violência, por não querer protagonismo, por ter morrido novo, por a viúva ter sido desconsiderada (por Cavaco), e por Otelo ter perdido o pé. Sim, é Salgueiro Maia, Fernando José Salgueiro Maia, o herói maior. (E o povo português, que tanto suportou, e finalmente se recusou a ir morrer por um colonialismo sem futuro.)
segunda-feira, maio 01, 2017
Sourate 2: AL-BAQARAH
(LA VACHE)
Au nom d'Allah, le Tout Miséricordieux, le Très Miséricordieux. 1. Alif, Lâm, Mîm (cette sourate, comme d'autres, commence par des lettres arabes connues, afin de démontrer que bien que le Coran soit composé de simples lettres, nul ne peut produire de tels versets. C'est l'un des miracles du Coran). 2. Voici le Livre (le Coran) sur lequel il n'y a aucun doute, c'est un guide pour les pieux (qui craignent leur Seigneur Allah). 3. Ceux qui croient à l'invisible, accomplissent la prière (Salât) et dépensent de ce que Nous leur avons attribué [dans l'obéissance à Allah] 4. Ceux qui croient en ce qui t'a (a toi, Muhammad) eté révélé (le Coran) et en ce qui a été révélé avant toi (la Torah et l'Évangile), et qui croient fermement à la vie future. 5. Ceux-là sont sur le bon chemin de leur Seigneur, et ce sont eux qui réussissent (dans cette vie et dans la vie future). 6. Il est égal pour les mécréants que tu (Muhammad) les avertisses ou que tu ne les avertisses pas; ils ne croient pas. 7. Allah a scelllé leurs coeurs et leurs oreilles; un voile leur couvre la vue et ils auront un grand châtiment. [...]
(Le Noble Coran)
Au nom d'Allah, le Tout Miséricordieux, le Très Miséricordieux. 1. Alif, Lâm, Mîm (cette sourate, comme d'autres, commence par des lettres arabes connues, afin de démontrer que bien que le Coran soit composé de simples lettres, nul ne peut produire de tels versets. C'est l'un des miracles du Coran). 2. Voici le Livre (le Coran) sur lequel il n'y a aucun doute, c'est un guide pour les pieux (qui craignent leur Seigneur Allah). 3. Ceux qui croient à l'invisible, accomplissent la prière (Salât) et dépensent de ce que Nous leur avons attribué [dans l'obéissance à Allah] 4. Ceux qui croient en ce qui t'a (a toi, Muhammad) eté révélé (le Coran) et en ce qui a été révélé avant toi (la Torah et l'Évangile), et qui croient fermement à la vie future. 5. Ceux-là sont sur le bon chemin de leur Seigneur, et ce sont eux qui réussissent (dans cette vie et dans la vie future). 6. Il est égal pour les mécréants que tu (Muhammad) les avertisses ou que tu ne les avertisses pas; ils ne croient pas. 7. Allah a scelllé leurs coeurs et leurs oreilles; un voile leur couvre la vue et ils auront un grand châtiment. [...]
(Le Noble Coran)
O esboroamento da memória
Volta-se a este meio após uns anos de afastamento, e tudo está mudado. Descobri há pouco que acabou também o weblog.com.pt e todos os blogs lá alojados.
Lição: não confiar em empresas pequenas de alojamento. E acreditar que o Google vai durar um pouco mais. (O fim do Yahoo! já foi anunciado há dias...)
Lição: não confiar em empresas pequenas de alojamento. E acreditar que o Google vai durar um pouco mais. (O fim do Yahoo! já foi anunciado há dias...)
Gerações
Não bastando os recém-doutorados que dão aulas de graça em universidades, agora também há professores jubilados a fazê-lo. Ao mesmo tempo, os mais brilhantes são forçados a emigrar ou a manter-se emigrados. Os lugares em causa não são os mesmo? Só por vezes não são.
sábado, abril 29, 2017
Alguma areia para as engrenagens
"[A] liquidez dos activos financeiros torna-os potencialmente negativos para o resto da economia. Construir uma fábrica demora pelo menos alguns meses, senão mesmo anos, enquanto para acumular os conhecimentos práticos tecnológicos e organizacionais necessários para formar uma empresa de nível mundial são necessárias décadas. Pelo contrário, os activos financeiros podem ser transferidos e reorganizados em minutos, senão mesmo segundos. Esta enorme diferença cria problemas muito importantes, porque o capital financeiro é «impaciente» e procura obter ganhos de curto prazo [...]. No curto prazo, esta tendência cria instabilidade económica, pois o capital líquido espalha-se por todo o mundo quase sem aviso prévio e de formas «irracionais», como temos visto recentemente. Mais importante é o facto de, no longo prazo, gerar um fraco crescimento da produtividade, porque o investimento de longo prazo é cortado para satisfazer o capital impaciente. Em resultado disto, apesar do grande progresso no «aprofundamento financeiro» (ou seja, o aumento no rácio entre os activos financeiros e o PIB), o crescimento tem, na verdade, desacelerado nos últimos anos [...].
Assim, precisamente porque é eficiente a responder a novas oportunidades de lucro, o mundo financeiro pode tornar-se prejudicial para o resto da economia. E foi por isso que James Tobin, laureado com o Prémio [Nobel] da Economia em 1981, falou na necessidade de «atirar alguma areia para as engrenagens dos nossos excessivamente eficientes mercados monetários internacionais». Assim, ele propôs um imposto sobre as transacções financeiras, com o objectivo deliberado de reduzir a velocidade dos fluxos financeiros. Até há pouco tempo tema tabu nos círculos educados, o chamado imposto Tobin foi recentemente defendido por Gordon Brown, primeiro-ministro britânico. Todavia, o imposto Tobin não é a única forma de reduzir a diferença de velocidade entre o mundo financeiro e a economia real. Entre outras alternativas, há a possibilidade de dificultar as aquisições hostis (reduzindo, por conseguinte, os ganhos dos investimentos especulativos em acções), proibir a venda curta (a prática de vender acções que não se possui no momento da venda), aumentar os requisitos de margem (ou seja, a percentagem que tem de ser paga à cabeça quando se compram acções) ou a criação de restrições aos movimentos transfronteiriços de capital, especialmente para países em desenvolvimento."
("23 coisas que nunca lhe contam sobre a Economia", Ha-Joon Chang)
Assim, precisamente porque é eficiente a responder a novas oportunidades de lucro, o mundo financeiro pode tornar-se prejudicial para o resto da economia. E foi por isso que James Tobin, laureado com o Prémio [Nobel] da Economia em 1981, falou na necessidade de «atirar alguma areia para as engrenagens dos nossos excessivamente eficientes mercados monetários internacionais». Assim, ele propôs um imposto sobre as transacções financeiras, com o objectivo deliberado de reduzir a velocidade dos fluxos financeiros. Até há pouco tempo tema tabu nos círculos educados, o chamado imposto Tobin foi recentemente defendido por Gordon Brown, primeiro-ministro britânico. Todavia, o imposto Tobin não é a única forma de reduzir a diferença de velocidade entre o mundo financeiro e a economia real. Entre outras alternativas, há a possibilidade de dificultar as aquisições hostis (reduzindo, por conseguinte, os ganhos dos investimentos especulativos em acções), proibir a venda curta (a prática de vender acções que não se possui no momento da venda), aumentar os requisitos de margem (ou seja, a percentagem que tem de ser paga à cabeça quando se compram acções) ou a criação de restrições aos movimentos transfronteiriços de capital, especialmente para países em desenvolvimento."
("23 coisas que nunca lhe contam sobre a Economia", Ha-Joon Chang)
sexta-feira, abril 28, 2017
Coisa 18 [Regulação]
"Karl Marx descreveu a restrição da liberdade empresarial por parte do Estado, em nome do interesse colectivo da classe capitalista, como a actuação do "comité executivo da burguesia". Todavia, não é necessário ser-se marxista para perceber que as leis que restringem a actuação individual das empresas podem promover o interesse colectivo da totalidade do sector empresarial, já para não falar da nação como um todo. Por outras palavras, muitas leis são favoráveis - não prejudiciais - aos negócios. Boa parte delas ajuda a preservar o conjunto comum de recursos que todas as empresas partilham, enquanto outras contribuem positivamente para os negócios levando as empresas a fazer coisas que aumentam a produtividade colectiva no longo prazo. Apenas quando reconhecermos isto seremos capazes de entender que o que interessa não é a quantidade absoluta de leis, mas os objectivos e os conteúdos das mesmas."
("23 coisas que nunca lhe contam sobre a Economia", Ha-Joon Chang)
("23 coisas que nunca lhe contam sobre a Economia", Ha-Joon Chang)
Planear para cem anos
"Se planeias para um ano, planta arroz. Se planeias para dez anos, planta árvores. Se planeias para cem anos, educa a humanidade."
(Kuan-Tzu)
(Kuan-Tzu)
terça-feira, abril 25, 2017
25 de Abril sempre!
Em dias em que administradores da CGD não percebem o que é serviço público (mas percebem de salários principescos e uma muito considerável "melhoria do CV"), em que funcionários dos serviços de saúde não estão devidamente vacinados, em que os falsos recibos verdes são uma realidade para ficar (que nos torna motivo de chacota de colegas e amigos estrangeiros). Dia de homenagem a Sá Carneiro, fundador de um partido que é tudo menos social-democrata (mente logo a começar no nome). O povo está a dormir em 2017.
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