quinta-feira, outubro 28, 2010
Pour faire le portrait d'un oiseau
Peindre d'abord une cage
avec une porte ouverte
peindre ensuite
quelque chose de joli
quelque chose de simple
quelque chose de beau
quelque chose d'utile
pour l'oiseau
placer ensuite la toile contre un arbre
dans un jardin
dans un bois
ou dans une forêt
se cacher derrière l'arbre
sans rien dire
sans bouger...
Parfois l'oiseau arrive vite
mais il peut aussi bien mettre de longues années
avant de se décider
Ne pas se décourager
attendre
attendre s'il faut pendant des années
la vitesse ou la lenteur de l'arrivée de l'oiseau
n'ayant aucun rapport
avec la réussite du tableau
Quand l'oiseau arrive
s'il arrive
observer le plus profond silence
attendre que l'oiseau entre dans la cage
et quand il est entré
fermer doucement la porte avec le pinceau
puis
effacer un à un tous les barreaux
en ayant soin de ne toucher aucune des plumes de l'oiseau
Faire ensuite le portrait de l'arbre
en choisissant la plus belle de ses branches
pour l'oiseau
peindre aussi le vert feuillage et la fraîcheur du vent
la poussière du soleil
et le bruit des bêtes de l'herbe dans la chaleur de l'été
et puis attendre que l'oiseau se décide à chanter
Si l'oiseau ne chante pas
c'est mauvais signe
signe que le tableau est mauvais
mais s'il chante c'est bon signe
signe que vous pouvez signer
Alors vous arrachez tout doucement
une des plumes de l'oiseau
et vous écrivez votre nom dans un coin du tableau.
Jacques Prévert
terça-feira, agosto 03, 2010
domingo, maio 16, 2010
Aos homens corajosos do meu país
Porque
Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão
Porque os outros têm medo mas tu não.
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.
Poque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.
Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.
(Sophia de Mello Breyner Andresen, Mar Novo)
Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão
Porque os outros têm medo mas tu não.
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.
Poque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.
Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.
(Sophia de Mello Breyner Andresen, Mar Novo)
domingo, abril 25, 2010
domingo, março 14, 2010
quinta-feira, fevereiro 11, 2010
segunda-feira, outubro 05, 2009
Mercedes Sosa
cantando "Gracias a la Vida", de Violeta Parra.
Gracias a la Vida que me ha dado tanto
me dio dos luceros que cuando los abro
perfecto distingo lo negro del blanco
y en el alto cielo su fondo estrellado
y en las multitudes el hombre que yo amo.
Gracias a la vida, que me ha dado tanto
me ha dado el oido que en todo su ancho
graba noche y dia grillos y canarios
martillos, turbinas, ladridos, chubascos
y la voz tan tierna de mi bien amado.
Gracias a la Vida que me ha dado tanto
me ha dado el sonido y el abedecedario
con él las palabras que pienso y declaro
madre amigo hermano y luz alumbrando,
la ruta del alma del que estoy amando.
Gracias a la Vida que me ha dado tanto
me ha dado la marcha de mis pies cansados
con ellos anduve ciudades y charcos,
playas y desiertos montañas y llanos
y la casa tuya, tu calle y tu patio.
Gracias a la Vida que me ha dado tanto
me dio el corazón que agita su marco
cuando miro el fruto del cerebro humano,
cuando miro el bueno tan lejos del malo,
cuando miro el fondo de tus ojos claros.
Gracias a la Vida que me ha dado tanto
me ha dado la risa y me ha dado el llanto,
así yo distingo dicha de quebranto
los dos materiales que forman mi canto
y el canto de ustedes que es el mismo canto
y el canto de todos que es mi propio canto.
Gracias a la Vida
Gracias a la Vida
Gracias a la Vida
Gracias a la Vida.
Gracias a la Vida que me ha dado tanto
me dio dos luceros que cuando los abro
perfecto distingo lo negro del blanco
y en el alto cielo su fondo estrellado
y en las multitudes el hombre que yo amo.
Gracias a la vida, que me ha dado tanto
me ha dado el oido que en todo su ancho
graba noche y dia grillos y canarios
martillos, turbinas, ladridos, chubascos
y la voz tan tierna de mi bien amado.
Gracias a la Vida que me ha dado tanto
me ha dado el sonido y el abedecedario
con él las palabras que pienso y declaro
madre amigo hermano y luz alumbrando,
la ruta del alma del que estoy amando.
Gracias a la Vida que me ha dado tanto
me ha dado la marcha de mis pies cansados
con ellos anduve ciudades y charcos,
playas y desiertos montañas y llanos
y la casa tuya, tu calle y tu patio.
Gracias a la Vida que me ha dado tanto
me dio el corazón que agita su marco
cuando miro el fruto del cerebro humano,
cuando miro el bueno tan lejos del malo,
cuando miro el fondo de tus ojos claros.
Gracias a la Vida que me ha dado tanto
me ha dado la risa y me ha dado el llanto,
así yo distingo dicha de quebranto
los dos materiales que forman mi canto
y el canto de ustedes que es el mismo canto
y el canto de todos que es mi propio canto.
Gracias a la Vida
Gracias a la Vida
Gracias a la Vida
Gracias a la Vida.
terça-feira, setembro 01, 2009
"Com a cabeça metida no travesseiro"
Com a notícia de uma mudança de ministério, Paris tinha mudado. Todos se sentiam alegres; gente passeava, e lampiões em todos os andares davam uma tal claridade que parecia estar-se em pleno dia. Os soldados regressavam lentamente aos quartéis, estafados, de ar triste. Saudavam-nos, gritando: «Viva a Infantaria!» Eles continuavam sem responder. Na guarda nacional, pelo contrário, os oficiais, rubros de entusiasmo, brandiam o sabre, vociferando: «Viva a reforma!» e esta frase fazia sempre rir os dois amantes. Frédéric dizia gracejos, estava muito alegre.
Pela rua Duphot, chegaram aos bulevares. Lanternas venezianas, penduradas nas casas, formavam guirlandas de luzes. Um formigueiro confuso agitava-se na rua; no meio desta sombra, a espaços, brilhavam alvuras de baionetas. Erguia-se um grande sussuro de vozes. A multidão era demasiadamente compacta, o regresso directo impossível; e iam a entrar na rua Caumartin quando, de súbito, rebentou atrás deles um ruído, semelhante ao estalar de uma imensa peça de seda a ser rasgada. Era a fuzilaria do bulevar de Capucines.
- Ah! Alguns burgueses a menos, - disse Frédéric tranquilamente, porque há momentos em que o homem menos cruel se acha tão desligado dos outros que veria perecer o género humano sem um batimento de coração.
A Marechala, aferrada ao braço dele, batia os dentes. Declarou-se incapaz de dar mais vinte passos. Então, por um requinte de ódio, para melhor ultrajar na sua alma a Senhora Arnoux, levou-a até à residência da rua Tronchet, ao apartamento preparado para a outra.
As flores não tinham murchado. A guipura estava em cima da cama. Tirou do armário as pequenas pantufas. Rosanette achou estas atenções muito delicadas.
Por volta da uma hora, foi acordada por rufos longínquos de tambor; e viu que ele estava a soluçar, com a cabeça metida no travesseiro.
- O que tens tu, amor querido?
- É o excesso de felicidade - disse Frédéric. - Havia já muito tempo que te desejava!
(Gustave Flaubert, "A Educação Sentimental", Relógio d'Água, tradução de João Costa)
Pela rua Duphot, chegaram aos bulevares. Lanternas venezianas, penduradas nas casas, formavam guirlandas de luzes. Um formigueiro confuso agitava-se na rua; no meio desta sombra, a espaços, brilhavam alvuras de baionetas. Erguia-se um grande sussuro de vozes. A multidão era demasiadamente compacta, o regresso directo impossível; e iam a entrar na rua Caumartin quando, de súbito, rebentou atrás deles um ruído, semelhante ao estalar de uma imensa peça de seda a ser rasgada. Era a fuzilaria do bulevar de Capucines.
- Ah! Alguns burgueses a menos, - disse Frédéric tranquilamente, porque há momentos em que o homem menos cruel se acha tão desligado dos outros que veria perecer o género humano sem um batimento de coração.
A Marechala, aferrada ao braço dele, batia os dentes. Declarou-se incapaz de dar mais vinte passos. Então, por um requinte de ódio, para melhor ultrajar na sua alma a Senhora Arnoux, levou-a até à residência da rua Tronchet, ao apartamento preparado para a outra.
As flores não tinham murchado. A guipura estava em cima da cama. Tirou do armário as pequenas pantufas. Rosanette achou estas atenções muito delicadas.
Por volta da uma hora, foi acordada por rufos longínquos de tambor; e viu que ele estava a soluçar, com a cabeça metida no travesseiro.
- O que tens tu, amor querido?
- É o excesso de felicidade - disse Frédéric. - Havia já muito tempo que te desejava!
(Gustave Flaubert, "A Educação Sentimental", Relógio d'Água, tradução de João Costa)
domingo, junho 21, 2009
Usura na cristandade
C'est à ce moment-là que se pose la grande question du prês à intérêt, nécessaire pour l'exportation des produits. En 1347 dejà, presque deux siècles avant la Réforme, l'évêque Adhémar Fabri avait rompu la règle religieuse selon laquelle le temps appartenant à Dieu, les hommes ne sauraient en tirer du profit. Il avait autorisé l'«usure», c'est-à-dire, le paiement d'un loyer pour de l'argent prêté, à condition que le taux en restant modeste.
Calvin est sollicité pour une semblable autorisation par les marchands protestants de la Nouvelle République. Il y réfléchit longuement. Il lui paraît légitime qu'un prêteur reçoive sa part de rétribuition pour de l'argent qui aura contribué à enrichir l'emprunteur, cette part devant rester raisonnable. En revanche, dit-il, il faut renoncer à «l'usure du pauvre». Mais qu'est-ce qu'une «part raisonnable»? Qu'est-ce qu'un «pauvre»? Prêteurs et prédicateurs ne cessent de se disputer sur cette question. Dès 1538, le taux légal est fixé à 5%. En 1557, il grimpe à 7%, en 1572 à 8,3%. En realité, le taux de 10% est courant, et sourtout à l'encontre des emprunteurs les plus pauvres.
(Joëlle Kuntz, L'histoire suisse dans un clin d'oeil)
Calvin est sollicité pour une semblable autorisation par les marchands protestants de la Nouvelle République. Il y réfléchit longuement. Il lui paraît légitime qu'un prêteur reçoive sa part de rétribuition pour de l'argent qui aura contribué à enrichir l'emprunteur, cette part devant rester raisonnable. En revanche, dit-il, il faut renoncer à «l'usure du pauvre». Mais qu'est-ce qu'une «part raisonnable»? Qu'est-ce qu'un «pauvre»? Prêteurs et prédicateurs ne cessent de se disputer sur cette question. Dès 1538, le taux légal est fixé à 5%. En 1557, il grimpe à 7%, en 1572 à 8,3%. En realité, le taux de 10% est courant, et sourtout à l'encontre des emprunteurs les plus pauvres.
(Joëlle Kuntz, L'histoire suisse dans un clin d'oeil)
sábado, maio 09, 2009
Quem manda? (2)
"[...] I know that as a consequence of my fund-raising I became more like the wealthy donors I met, in the very particular sense that I spent more and more of my time above the fray, outside the world of immediate hunger, disappointment, fear, irrationality, and frequent hardship of the other 99 percent of the population - that is, the people I'd entered public life to serve. And in one fashion or another, I suspect this is true for every senator: The longer you are a senator, the narrower the scope of your interactions. You may fight it, with town hall meetings and listening tours and stops by the old neighborhood. But your schedule dictates that you move in a different orbit from most of the people you represent."
(Barack Obama, The audacity of hope)
(Barack Obama, The audacity of hope)
Quem manda?
"Increasingly I found myself spending time with people of means - law firm partners and investment bankers, hedge fund managers and venture capitalists. As a rule, they were smart, interesting people, knowledgeable about public policy, liberal in their politics, expecting nothing more than a hearing of their opinions in exchange for their checks. But they reflected, almost uniformly, the perspectives of their class: the top 1 percent or so of the income scale that can afford to write a $2,000 check to a political candidate. They believed in the free market and in educational meritocracy; they found it hard to imagine that there might be any social ill that could not be cured by a high SAT score. They had no patience with protectionism, found unions troublesome, and were not particularly sympathetic to those whose lives were upended by the movements of global capital."
(Barack Obama, The audacity of hope)
(Barack Obama, The audacity of hope)
sábado, março 14, 2009
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