"Se a miséria dos nossos pobres não for causada pelas leis da natureza, mas pelas nossas instituições, grande é o nosso pecado."
(Charles Darwin, Viagem a bordo do Beagle)
terça-feira, dezembro 09, 2008
domingo, dezembro 07, 2008
As Adam, Early in the Morning
As Adam, early in the morning,
Walking forth from the bower, refresh’d with sleep;
Behold me where I pass—hear my voice—approach,
Touch me—touch the palm of your hand to my Body as I pass;
Be not afraid of my Body.
(Walt Whitman)
Walking forth from the bower, refresh’d with sleep;
Behold me where I pass—hear my voice—approach,
Touch me—touch the palm of your hand to my Body as I pass;
Be not afraid of my Body.
(Walt Whitman)
sábado, dezembro 06, 2008
Shut not your doors
Shut not your doors to me proud libraries,
For that which was lacking on all your well-fill'd shelves, yet needed
most, I bring
Forth from the war emerging, a book I have made,
The words of my book nothing, the drift of it everything,
A book separate, not link'd with the rest nor felt by the intellect,
But you ye untold latencies will thrill to every page.
(Walt Whitman)
For that which was lacking on all your well-fill'd shelves, yet needed
most, I bring
Forth from the war emerging, a book I have made,
The words of my book nothing, the drift of it everything,
A book separate, not link'd with the rest nor felt by the intellect,
But you ye untold latencies will thrill to every page.
(Walt Whitman)
sábado, novembro 29, 2008
art saves

(Fonte)
Escondeste-te portanto aí, entre os pináculos da Catedral de Milão, Beleza em estado puro? Tal como apareces, por vezes, numa mancha vermelha sobre uma tela, num recanto escondido de uma exposição?
Seriam tímidos, os mestres desta embriaguez escultórica? Teriam reservas sobre as figuras que lhes calharam em sorte? Podia ser. Mas os seus espíritos estão ali materializados, na pedra, incontornáveis, e tão belos, tão incrivelmente belos...
quarta-feira, novembro 26, 2008
segunda-feira, novembro 03, 2008
Registo
Jovem somali morta por apedrejamento
LUMENA RAPOSO
Somália. As milícias Al-Shabab, ligadas à Al-Qaeda, conquistaram em Agosto a cidade portuária de Kismayo onde estão a impor a charia - lei islâmica - ao abrigo da qual realizaram a primeira execução pública em dois anos. A de Aisha Duhulow
Crime foi cometido por um grupo de 50 homens
Aisha tinha 13 anos, dizem uns, 23 anos afirmam outros, e foi lapidada - ou seja, apedrejada até à morte - no estádio de Kismayo, a cidade portuária somali agora sob controlo das milícias islâmicas Al-Shabab. Durante o assassínio de Aisha, um familiar seu e alguns espectadores tentaram socorrê-la, o que fez com que os milicianos disparassem contra a multidão, matando uma criança.
Os extremistas islâmicos, associados à Al-Qaeda, justificaram a "misericordiosa execução" alegando que Aisha Ibrahim Duhulow praticou adultério, um crime de honra punido com a morte. Mas a família de Aisha nega a acusação, afirmando que ela foi violada por três homens e que foi detida quando os denunciou em tribunal. Nenhum dos acusados foi detido, assim como também não consta que tenha havido o julgamento normal para o caso de adultério. Mas Aisha foi morta. E de forma extremamente violenta.
No estádio de Kismayo, onde se encontravam cerca de mil espectadores, revela o diário britânico The Guardian, foi aberto um buraco no chão onde colocaram Aisha que, manietada de pés e mãos, ainda tentava resistir aos seus verdugos. Um grupo de 50 homens atirou contra ela as pedras que, para o efeito, haviam sido trazidas para o estádio. Por três vezes, Aisha foi retirada do buraco e observada por enfermeiras que atestaram ela estar ainda viva. E o apedrejamento prosseguiu... até à morte.
"O apedrejamento foi totalmente ilógico e nada teve de religioso. O islão não executa mulheres por adultério a não ser que quatro testemunhas e o homem com quem ela cometeu adultério venham a público atestá-lo", disse uma irmã de Aisha, cuja família, revela o Mail online, se afirmou furiosa com o ocorrido e cujo pai garante que a vítima só tinha 13 anos. Era a 13.ª de uma família de seis irmãos e seis irmãs e nasceu no campo de refugiados de Hagardeer, no Sul do Quénia, em 1995, onde a família chegou três anos antes em fuga de Mogadíscio. Aisha, que sofria de epilepsia, estaria de regresso à capital somali e teve de parar na cidade Kismayo, que as milícias extremistas capturaram no passado mês de Agosto.
A lapidação de Aisha foi condenada pela presidência da União Europeia e pela Amnistia Internacional, enquanto as milícias Al-Shabab prosseguem a sua política de radicalização da sociedade de Kismayo.
DN, 3.11.08
LUMENA RAPOSO
Somália. As milícias Al-Shabab, ligadas à Al-Qaeda, conquistaram em Agosto a cidade portuária de Kismayo onde estão a impor a charia - lei islâmica - ao abrigo da qual realizaram a primeira execução pública em dois anos. A de Aisha Duhulow
Crime foi cometido por um grupo de 50 homens
Aisha tinha 13 anos, dizem uns, 23 anos afirmam outros, e foi lapidada - ou seja, apedrejada até à morte - no estádio de Kismayo, a cidade portuária somali agora sob controlo das milícias islâmicas Al-Shabab. Durante o assassínio de Aisha, um familiar seu e alguns espectadores tentaram socorrê-la, o que fez com que os milicianos disparassem contra a multidão, matando uma criança.
Os extremistas islâmicos, associados à Al-Qaeda, justificaram a "misericordiosa execução" alegando que Aisha Ibrahim Duhulow praticou adultério, um crime de honra punido com a morte. Mas a família de Aisha nega a acusação, afirmando que ela foi violada por três homens e que foi detida quando os denunciou em tribunal. Nenhum dos acusados foi detido, assim como também não consta que tenha havido o julgamento normal para o caso de adultério. Mas Aisha foi morta. E de forma extremamente violenta.
No estádio de Kismayo, onde se encontravam cerca de mil espectadores, revela o diário britânico The Guardian, foi aberto um buraco no chão onde colocaram Aisha que, manietada de pés e mãos, ainda tentava resistir aos seus verdugos. Um grupo de 50 homens atirou contra ela as pedras que, para o efeito, haviam sido trazidas para o estádio. Por três vezes, Aisha foi retirada do buraco e observada por enfermeiras que atestaram ela estar ainda viva. E o apedrejamento prosseguiu... até à morte.
"O apedrejamento foi totalmente ilógico e nada teve de religioso. O islão não executa mulheres por adultério a não ser que quatro testemunhas e o homem com quem ela cometeu adultério venham a público atestá-lo", disse uma irmã de Aisha, cuja família, revela o Mail online, se afirmou furiosa com o ocorrido e cujo pai garante que a vítima só tinha 13 anos. Era a 13.ª de uma família de seis irmãos e seis irmãs e nasceu no campo de refugiados de Hagardeer, no Sul do Quénia, em 1995, onde a família chegou três anos antes em fuga de Mogadíscio. Aisha, que sofria de epilepsia, estaria de regresso à capital somali e teve de parar na cidade Kismayo, que as milícias extremistas capturaram no passado mês de Agosto.
A lapidação de Aisha foi condenada pela presidência da União Europeia e pela Amnistia Internacional, enquanto as milícias Al-Shabab prosseguem a sua política de radicalização da sociedade de Kismayo.
DN, 3.11.08
terça-feira, outubro 28, 2008
Não desapontar é...
"We are all atheists about most of the gods that societies have ever believed in. Some of us just go one god further."
Richard Dawkins
Richard Dawkins
segunda-feira, outubro 27, 2008
terça-feira, outubro 14, 2008
domingo, setembro 28, 2008
Será que não devíamos pedir uma indemnização às tabaqueiras pelo Paul Newman?
(Este é um post quadrado, cor-de-rosa, de costureirinha. Voilá.)
Do que mais gostava no Paul Newman, mais do que da beleza canónica, do talento irrepreensível, do bom carácter com que doava os lucros do molho de tomate para bolsas de estudo (acho que é qualquer coisa assim), da humanidade do ressonar (confessado pela mulher), do que mais gostava no Paul Newman era mesmo daquele casamento de décadas e décadas, uma coisa própria de príncipe encantado que se preze, ou não terminassem as histórias de encantar com o inevitável "e viveram felizes para sempre" ou, em casos mais humanos como este, "até que a morte os separe".
Se me comovo com qualquer um desses casais de muitas décadas, professando ainda publicamente o seu estado de encantamento, comovo-me mais com o Paul Newman, estrela grande de Hollywood, indústria que se alimenta de vidas humanas para produzir sonhos empacotados para milhões de outras vidas. À nossa frente, filtrada pelos media, vemos a coragem de tantas dessas estrelas tentando ter uma vida pessoal com elementos que são denominadores comuns a todos os mortais. O Marlon Brando, falado por estes dias, por exemplo, viveu uma vida trágica, mas inegavelmente corajosa, procurando afinal coisas tão simples como qualquer ser humano.
Com o passar dos tempos, parece que há cada vez menos homens assim. Por isso, pergunto-me se não deveríamos pedir uma indemnização zilionária às tabaqueiras pela morte do Paul Newman.
Do que mais gostava no Paul Newman, mais do que da beleza canónica, do talento irrepreensível, do bom carácter com que doava os lucros do molho de tomate para bolsas de estudo (acho que é qualquer coisa assim), da humanidade do ressonar (confessado pela mulher), do que mais gostava no Paul Newman era mesmo daquele casamento de décadas e décadas, uma coisa própria de príncipe encantado que se preze, ou não terminassem as histórias de encantar com o inevitável "e viveram felizes para sempre" ou, em casos mais humanos como este, "até que a morte os separe".
Se me comovo com qualquer um desses casais de muitas décadas, professando ainda publicamente o seu estado de encantamento, comovo-me mais com o Paul Newman, estrela grande de Hollywood, indústria que se alimenta de vidas humanas para produzir sonhos empacotados para milhões de outras vidas. À nossa frente, filtrada pelos media, vemos a coragem de tantas dessas estrelas tentando ter uma vida pessoal com elementos que são denominadores comuns a todos os mortais. O Marlon Brando, falado por estes dias, por exemplo, viveu uma vida trágica, mas inegavelmente corajosa, procurando afinal coisas tão simples como qualquer ser humano.
Com o passar dos tempos, parece que há cada vez menos homens assim. Por isso, pergunto-me se não deveríamos pedir uma indemnização zilionária às tabaqueiras pela morte do Paul Newman.
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