quinta-feira, outubro 18, 2007



A minha vénia ao Público e a Teresa Firmino pela tomada de posição sobre as declarações de James Watson.

terça-feira, setembro 18, 2007

Song of the Open Road

17

Allons! the road is before us!
It is safe—I have tried it—my own feet have tried it well.

Allons! be not detain’d!
Let the paper remain on the desk unwritten, and the book on the shelf unopen’d!
Let the tools remain in the workshop! let the money remain unearn’d!
Let the school stand! mind not the cry of the teacher!
Let the preacher preach in his pulpit! let the lawyer plead in the court, and the judge expound the law.

Mon enfant! I give you my hand!
I give you my love, more precious than money,
I give you myself, before preaching or law;
Will you give me yourself? will you come travel with me?
Shall we stick by each other as long as we live?


(Walt Whitman)

sábado, setembro 01, 2007

Song of the Open Road

16

Allons! through struggles and wars!
The goal that was named cannot be countermanded.

Have the past struggles succeeded?
What has succeeded? yourself? your nation? nature?
Now understand me well—It is provided in the essence of things, that from any fruition of success, no matter what, shall come forth something to make a greater struggle necessary.

My call is the call of battle—I nourish active rebellion;
He going with me must go well arm’d;
He going with me goes often with spare diet, poverty, angry enemies, desertions.


(Walt Whitman)
EPC: A erudição despida de pretensiosismo, as preocupações das pessoas comuns vertidas em português escorreito, de sentido cristalino. A curiosidade, o humor, a humildade. A participação cívica como uma forma de respirar. E, agora, também as saudades.

quarta-feira, agosto 29, 2007

Song of the Open Road

15

Allons! whoever you are! come forth!
You must not stay sleeping and dallying there in the house, though you built it, or though it has been built for you.

Allons! out of the dark confinement!
It is useless to protest—I know all, and expose it.

Behold, through you as bad as the rest,
Through the laughter, dancing, dining, supping, of people,
Inside of dresses and ornaments, inside of those wash’d and trimm’d faces,
Behold a secret silent loathing and despair.

No husband, no wife, no friend, trusted to hear the confession;
Another self, a duplicate of every one, skulking and hiding it goes,
Formless and wordless through the streets of the cities, polite and bland in the parlors,
In the cars of rail-roads, in steamboats, in the public assembly,
Home to the houses of men and women, at the table, in the bed-room, everywhere,
Smartly attired, countenance smiling, form upright, death under the breast-bones, hell under the skull-bones,
Under the broadcloth and gloves, under the ribbons and artificial flowers,
Keeping fair with the customs, speaking not a syllable of itself,
Speaking of anything else, but never of itself.


(Walt Whitman)

Dúvidas

1. "Todos os homens são mortais. Sócrates é homem. Logo..."

"Os seres humanos são intrinsecamente maus". Quem pode acreditar em tal coisa? O que é que isso diria de quem acredita? Dos seus familiares? Dos amigos? (Amigos?) Ou haveria alguns (auto-intitulados?) que seriam moralmente superiores?

2. Numa meritocracia, quem não tem talento tem de distinguir-se pelo esforço. Mas, e se todo o esforço do mundo não bastar?

Mulher a ler


(Ikeda Terukata)

sábado, agosto 25, 2007

(Pen)Última crónica de Eduardo Prado Coelho

Comício de Verão
sexta-feira, 24 de Agosto de 2007

No seu habitual comício de Verão do PSD/Madeira, lá tivemos Alberto João Jardim a vociferar com a habitual virulência e desfaçatez. Conseguisse ele imaginar o que a esmagadora maioria dos portugueses do continente pensa destas vistosas performances e talvez não exibisse tamanha arrogância. Mas não consegue, e, por isso, fica ali, naquele estardalhaço ensolarado, a vacilar entre o ridículo e o patético.
Para o ilustre presidente do PSD da Madeira, o alvo, desta vez, foram as chamadas "causas fracturantes", que é o nome algo abusivo que foi atribuído aos temas que se ocupam de aspectos importantes da vida quotidiana das pessoas. Que um banco recuse um empréstimo a duas mulheres que vivem juntas, considerando que a situação de lésbicas não lhes permite qualquer solicitação nesse sentido, é algo que afecta o dia a dia de cada uma. E esses são problemas que não podem ser ignorados. Sobretudo com aquele inevitável argumento de que há assuntos muito mais importantes, como o desemprego ou as leis do trabalho (esta é a lengalenga habitual do PCP, que não tem particular simpatia por "temas fracturantes", embora, às vezes, lá alinhe).
Que disse, então, Alberto João Jardim? Numa alusão à lei sobre a despenalização do aborto, declarou, segundo os hábitos enraizados do conservadorismo nesta matéria, que, "quando se fazem leis contra a vida humana, é um precedente que não podemos consentir para depois fazerem outros direitos ou se ofenderem outros direitos das pessoas em nome do Estado absoluto". Não vamos discutir. Mas Jardim parece não ter entendido que a lei sobre a despenalização do aborto em determinadas circunstâncias é uma lei que aumenta a liberdade das pessoas, porque não obriga ninguém a fazer abortos, mas permite que quem quiser os faça e quem não quiser não faça. Falar em "Estado absoluto" é um contra-senso.
E falou sobre homossexuais. Para dizer que "querer o casamento de homossexuais e tudo isso que o Governo socialista prepara, essas não são causas, são deboche, são degradação, é pôr termo aos valores que nós, portugueses, a nossa alma nacional, temos desde o berço e que os nossos pais nos ensinaram". Cá temos o modelo perfeito do pensamento reaccionário: vai-se buscar um princípio suposto intocável, neste caso a "alma nacional" (Jardim ignora que "a alma é um vício", como genialmente escreveu Agustina), para interditar qualquer debate racional e ponderado sobre estas matérias, e não se aceitar a pluralidade de posições.
Do berço não me recordo bem, mas lembro-me que os meus pais, felizmente, nunca me ensinaram estas coisas, bem pelo contrário, embora sempre permitindo que eu viesse a pensar o que achasse mais certo. E nada me leva a suspeitar que não fossem portugueses, que não fizessem parte deste demagógico "nós, portugueses" a que Jardim recorre. Os pais da minha mãe moravam na Rua do Noronha, por detrás da Imprensa Nacional, e os do meu pai na Correia Telles a Campo de Ourique. Terão sido menos portugueses por não pensarem o que pensa Alberto João Jardim? Como dizia Pacheco Pereira, se Jardim berrasse menos e pensasse mais...