domingo, junho 10, 2007

C.



Uma "natural woman" (ou quase).

Esta é também uma entrada contra o "efeito Sotinco"©. Também acho que o excesso de maquilhagem esconde o que é bonito, realça o que é feio e só é indispensável àquelas personagens a que os brasileiros chamam as "pIruaS".

(Um bom fotógrafo não deixa de ajudar bastante...)

Song of the Open Road

10

Allons! the inducements shall be greater;
We will sail pathless and wild seas;
We will go where winds blow, waves dash, and the Yankee clipper speeds by under full sail.

Allons! with power, liberty, the earth, the elements!
Health, defiance, gayety, self-esteem, curiosity;
Allons! from all formules!
From your formules, O bat-eyed and materialistic priests!

The stale cadaver blocks up the passage—the burial waits no longer.

Allons! yet take warning!
He traveling with me needs the best blood, thews, endurance;
None may come to the trial, till he or she bring courage and health.

Come not here if you have already spent the best of yourself;
Only those may come, who come in sweet and determin’d bodies;
No diseas’d person—no rum-drinker or venereal taint is permitted here.

I and mine do not convince by arguments, similes, rhymes;
We convince by our presence.


(Walt Whitman)

Humanos

Não me espantaria se alguém me dissesse que o maior exemplo que tem de fidelidade vem de um cão ou que o animal mais sensual que conhece é um gato. Mas qual é a única espécie que olha para as estrelas e que produz arte? E que, mesmo de modo imperfeito, concebe, por exemplo, a escala de desenvolvimento moral de Kohlberg?

sábado, junho 09, 2007

Assustador

Não acham assustador estar a escrever um mail sobre um assunto, no Gmail, e ao fim de alguns segundos ter publicidade ao lado alusiva ao mesmo assunto? O que virá a seguir? Câmaras para saber o que nos dilata as pupilas?

domingo, junho 03, 2007


(Henrik Simonsen)

Song of the Open Road

9

Allons! whoever you are, come travel with me!
Traveling with me, you find what never tires.

The earth never tires;
The earth is rude, silent, incomprehensible at first—Nature is rude and incomprehensible at first;
Be not discouraged—keep on—there are divine things, well envelop’d;
I swear to you there are divine things more beautiful than words can tell.

Allons! we must not stop here!
However sweet these laid-up stores—however convenient this dwelling, we cannot remain here;
However shelter’d this port, and however calm these waters, we must not anchor here;
However welcome the hospitality that surrounds us, we are permitted to receive it but a little while.


(Walt Whitman)

sábado, junho 02, 2007


(Charles Chu)

Mulheres a ler

Elas andam por aí!...

E vivam os bons memes! :)

Feiras

Alguém já contou o número de "feiras do livro" que houve em Lisboa nos últimos doze meses? Podiam começar uma competição oficial entre todas... Nos preços, não é certo que "a Feira" venceria.

Respirando, lendo, procurando

Respiro o ar que foi o de dois (como hei-de chamar-lhes?) vultos (?) do pensamento ocidental. Coroados em vida, a sua memória persiste séculos depois de terem deixado de escrever o melhor e o pior um do outro... Um, mais interventivo contra a injustiça do seu presente; o outro, mais ambicioso de conhecimento intemporal (e cometendo grandes erros). Grandes espíritos... Ambos vivos também na minha memória, dos pequenos livros que deles li. (Pequenos livros, grandes ideias; resultado: impressão forte!) Mortos, são mais relevantes do que o rapaz que ao lado planta morangos. E, no entanto... não haverá quem plante morangos com escrita "relevante"?

Se a escrita é quase inevitavelmente acto solitário, a leitura não tem de ser assim: gosto de quem discuta leituras comigo! Por isso, vou falar-vos um pouco sobre as minhas leituras.

Leio três blogs, cujos autores nasceram no mesmo ano. Ano fértil, parece, porque escrevem bem. Não fazem uma "geração"; aliás, o que é isso de geração, nos dias de correm? Um conta boas histórias, outro tem um espírito crítico acutilante e o terceiro interessa-se pelas artes (e pelas louras). Poderia a escrita salvar o mundo? (Ou só quem escreve, como a caridade serve mais a quem dá?) Poderiam estes três salvar alguma esperança num futuro melhor? O segundo (o segundo tipo) seria sempre necessário e, vendo bem, os outros também. Mas há um vazio de ideias novas, e não é só no pequenino rectângulo.

Nestes dias, devíamos todos ir aprender Economia, porque é ela que domina tudo - pelo menos, agora, de forma explícita. Há uma revolta contra este estado de coisas, mas é a revolta errada. Podemos ir ao blog do presidente do Irão para tentar perceber o que temos ainda em comum com essas pessoas que elegem loucos (serão?) que nos querem trazer, mais dia, menos dia, surpresas desagradáveis. Será que também amassam farinha com água e sal? Que agradecem o pão de cada dia?

Voltando ao início. Será que ainda é possível, em algum lugar, a maturação de caracteres nobres como o dos meus dois amigos mortos? Capazes, então, de mudar o mundo, sem ser com armas, sem ser com o poder cego do dinheiro?

quinta-feira, maio 31, 2007

Canção de primavera

Eu, dar flor, já não dou. Mas vós, ó flores,
Pois que Maio chegou,
Revesti-o de clâmides de cores!
Que eu, dar, flor, já não dou.

Eu, cantar, já não canto. Mas vós, aves,
Acordai desse azul, calado há tanto,
As infinitas naves!
Que eu, cantar, já não canto.

Eu, invernos e outonos recalcados
Regelaram meu ser neste arrepio...
Aquece tu, ó sol, jardins e prados!
Que eu, é de mim o frio.

Eu, Maio, já não tenho. Mas tu, Maio,
Vem com tua paixão,
Prostrar a terra em cálido desmaio!
Que eu, ter Maio, já não.

Que eu, dar flor, já não dou; cantar, não canto;
Ter sol, não tenho; e amar...
Mas, se não amo,
Como é que, Maio em flor, te chamo tanto,
E não por mim assim te chamo?


(José Régio)

segunda-feira, maio 28, 2007

Dia-a-dia

1. Uma das razões por que gosto de Portugal é por as mulheres, no mercado de trabalho, se terem emancipado mais do que noutros países. É um resultado da pobreza, mas o que é certo é que o trabalho se tornou um espaço em que o machismo que exista já tem de se esconder (e, idealmente, diminuirá), e em que ter filhos pequenos e trabalhar ao mesmo tempo não é crime de lesa-majestade. Vivam as mulheres portuguesas!

2. Uma união de facto demora anos de co-habitação: na prática, demora mais tempo a efectivar-se do que um casamento... Depois, os processos que conduzem a divórcios são geralmente muito penosos - penosos de ver, e ainda mais serão de viver - só por sadismo se pode querer que esse suplício se prolongue no tempo. Se é por a "instituição do casamento" ter um qulquer papel social a desempenhar (contribuintes mais previsíveis? educadores mais eficazes?), há que pensar se esse período de limbo que obrigam os casais desavindos a passar não terá, afinal, resultados contrários aos pretendidos.

Song of the Open Road

8

The efflux of the Soul is happiness—here is happiness;
I think it pervades the open air, waiting at all times;
Now it flows unto us—we are rightly charged.

Here rises the fluid and attaching character;
The fluid and attaching character is the freshness and sweetness of man and woman;
(The herbs of the morning sprout no fresher and sweeter every day out of the roots of themselves, than it sprouts fresh and sweet continually out of itself.)

Toward the fluid and attaching character exudes the sweat of the love of young and old;
From it falls distill’d the charm that mocks beauty and attainments;
Toward it heaves the shuddering longing ache of contact.


(Walt Whitman)