quarta-feira, janeiro 10, 2007


(Vilhelm Hammershøi)

Borreguinhos tecnológicos

1. Haverá alguma conjugação astrológica desfavorável à blogosfera? É que, depois da inutilização do blo.gs e da degradação do Technorati, ontem foi a vez de o Blogger, o Sitemeter e o Haloscan não funcionarem. O Bloglines continuou a funcionar mas para os blogs do Blogger isso não serviu para nada. O Haloscan continua a meio gás. Se os serviços bons são escassos, também não deve haver melhor para migrações simples, não é? Diga quem souber.

2. Este novo sistema de armazenamento e apresentação de imagens do Blogger não é grande melhoria... Antes, a imagem original podia ser apresentada na página de rosto do blog e, se fosse grande, era possível vê-la isolada e ajustada ao tamanho da janela do browser. Agora, nada disso acontece. Muito aborrecido quando se tem fotografias de quadros com boa resolução.

3. A Apple lançou o iPhone. Telemóvel com acesso à internet e leitor de música? Onde é que já vi isso antes, e a um preço bem simpático?

O Dia do Carneiro

(excertos)

«[...] A cena de Abraão, do seu filho e do carneiro, ao apresentar-nos um Deus misericordioso (para os humanos) impressionou judeus, cristãos e muçulmanos até à época contemporânea. Woody Allen refere-se várias vezes a esta história, sempre estupefacto por Abraão estar mesmo até ao último momento seriamente decidido a matar o seu filho, prova de que "um homem cumpre com qualquer ordem estúpida desde que lhe seja transmitida por uma voz grave e bem colocada". Os vestígios desta história encontram-se no cerne do cristianismo, pois é o próprio Filho, Jesus Cristo, que é o "cordeiro de Deus" sacrificado pelos pecado de todos os humanos.»

*

«[...] O Dia do Carneiro é então uma ocasião para os muçulmanos confraternizarem com a família em torno de uma refeição, mas também de cederem ao consumismo, de se endividarem, de passarem horas presos nos engarrafamentos das grandes cidades e de arriscarem a vida nas estradas. Não sei se isto vos lembra alguma coisa. A mim, dada a minha grande afeição pessoal e gastronómica pelo carneiro, torna-me nostálgico. De tal forma que vou suspender a reserva pessoal e contar aos leitores que em tempos, eu também vivi no campo, e logo numa casa com carneiros. Mais ainda, que cheguei a pastoreá-los uma vez ou outra e que tenho grande orgulho em ter lido As Aventuras de Mark Twain em algumas dessas ocasiões. Quando criança, também eu me lembro de implorar aos meus pais que poupassem um dos carneiros de quem eu mais gostava. Uma das vezes terei até chorado e berrado enquanto a faca se aproximava do pescoço do bicho, tanto que a mão (do meu pai ou da minha mãe?) hesitava e voltava a avançar, hesitava e voltava a avançar, sempre mudando de ideias, num momento de tensão quase insuportável.

«Se não me engano, comêmo-lo no dia em que os futuros sogros do meu irmão foram jantar lá a casa.»


(Rui Tavares, Pobre e Mal Agradecido)

terça-feira, janeiro 09, 2007

Se as coisas funcionassem assim

Pediria, por favor, uns posts sobre o "estudo" da influência dos signos nos acidentes de automóveis (DN, Diário Digital, etc.) aos esclarecidos Diário Ateísta e A Destreza das Dúvidas. Até agora, só li sobre o assunto, em português, no Canhoto.

Gostaria de perceber, por exemplo:
1. Se existisse essa tão forte correlação de que o "estudo" fala, porque é que nunca teria sido descoberta antes?
2. As seguradoras teriam cobertura legal para que os crédulos pudessem pagar de acordo com o seu signo?
3. O que dizer de jornalistas que traduzem a "notícia" do "estudo" e a apresentam de forma tão pouco crítica e contextualizada?

Bem, não custa tentar.

Mulher a ler


(Vilhelm Hammershøi)

As Adam, early in the morning

As Adam, early in the morning,
Walking forth from the bower, refresh’d with sleep;
Behold me where I pass—hear my voice—approach,
Touch me—touch the palm of your hand to my Body as I pass;
Be not afraid of my Body.


(Walt Whitman)

Never-end-um

Os defensores do Não no referendo sobre a despenalização da IVG argumentam que alguns defensores do Sim pretendem fazer sucessivos referendos até que o Sim ganhe. A falta de vontade da maioria em voltar a debater o assunto parece dar-lhes razão. E uma nova vitória do Não reforçará o argumento. De facto, o que muda em oito anos? A renovação demográfica e a consciência dos hipócritas? Uma mais lúcida visão do mundo? Será suficiente? O alheamento dos mais novos da política e da participação cívica é evidente.

Por outro lado, se o Sim vencer, mas com um resultado não vinculativo, é bem possível que os defensores do Não passem a ser os novos defensores de um novo referendo, logo que surja a oportunidade. Afinal, não há cada vez mais discussão para restringir o aborto, na Europa e nos Estados Unidos? Se não defenderem novo referendo, hão-de agarrar-se às posições mais conservadoras dos conselhos de ética dos médicos.

Entretanto, parece que o que realmente tem impedido a prática das IVG não é a lei, mas sim o conservadorismo da Ordem dos Médicos, que nenhum referendo terá capacidade de vencer vinculativamente. Se assim for, algum dia lá terão os nossos representantes democraticamente eleitos de "pôr as mãos na massa". Neste caso, é provável que fiquem mais limpas.

sábado, janeiro 06, 2007


(Vilhelm Hammershøi)

Janeiras

Entrai, pastores

Entrai, pastores, entrai
por este portal sagrado
vinde adorar o Menino
numas palhinhas deitado

Pastorinhos do deserto
todos correm para o ver
trazem mil e um presentes
para o Menino comer

Ó meu Menino Jesus
convosco é que eu estou bem
nada deste mundo quero
nada me parece bem

Alegrem-se o céu e a terra
cantemos com alegria
já nasceu o Deus Menino
filho da Virgem Maria

Deus Menino já nasceu
andai ver o rei dos reis
ele é quem governa o céu
quer que vós o adoreis

Ah, meu Menino Jesus
que lindo amor perfeito
se vem muito cansadinho
vem descansar em meu peito


(popular)

Salvação

"A salvação não se nega a ninguém."

Conhecem esta frase e esta salvação? Sabem em que regiões de Portugal (ou do Brasil) poderia ser ouvida a frase? Não é extraordinária?