quinta-feira, agosto 24, 2006

Sob o signo de Plutão

"Lengalenga": narração fastidiosa e extensa. (DPLO/Priberam/Texto Editores)

Por que será que a série dos nomes dos planetas do Sistema Solar é uma "lengalenga" para tantos jornalistas? Por que será que não têm reservas em revelar o seu desprezo pelo conhecimento científico e por um mundo que, por acaso, é muito maior do que eles?

Out of the rolling ocean the crowd

Out of the rolling ocean, the crowd, came a drop gently to me,
Whispering, I love you, before long I die,
I have travel’d a long way, merely to look on you, to touch you,
For I could not die till I once look’d on you,
For I fear’d I might afterward lose you.


(Now we have met, we have look’d, we are safe;
Return in peace to the ocean, my love;
I too am part of that ocean, my love—we are not so much separated;
Behold the great rondure—the cohesion of all, how perfect!
But as for me, for you, the irresistible sea is to separate us,
As for an hour, carrying us diverse—yet cannot carry us diverse for ever;
Be not impatient—a little space—Know you, I salute the air, the ocean and the land,
Every day, at sundown, for your dear sake, my love.)

(Walt Whitman)

Homem a ler


(Hugo Pratt)

Hoje, no Ma-Schamba, JPT, velho-blogard, deu um exemplo de moderação nas caixas de comentários. Muito obrigada: vou tentar aprender alguma coisa. Chapeau!

terça-feira, agosto 22, 2006

A ler/reler

"E um ecrã de febre a arder"
(Eduardo Cintra Torres, Público, 12 de Junho de 2005)

"O share incendiário"
(Eduardo Cintra Torres, Público, 21 de Agosto de 2005)

«Um estudo revelou...»

Os "estudos", geralmente "americanos", devem ser uma mina para jornalistas incapazes de produzir notícias próprias. Pena é que, por vezes, não saibam descodificar os conteúdos desses "estudos".

Por exemplo, no Portugal Diário, encontra-se uma notícia entitulada "Está deprimido? Case-se", com o subtítulo "Estudo mostra que casamento pode beneficiar pessoas com depressão". Depois de ler o texto, fiquei a achar que o "estudo" foi feito sobre lugares comuns, sem controlo de variáveis, com conclusões sem nexo, e que a lucrativa indústria dos casamentos o devia ter patrocinado.

Só duvidei porque uma coisa tão má não chega a ser notícia divulgada internacionalmente (diz a minha veia optimista...). Pesquisando então na rede, encontrei uma outra notícia sobre o mesmo assunto, num registo completamente diferente, em que percebi finalmente em que consistia o "estudo".

Não sei se é pelo número de intermediários e pelas sucessivas interpretações (traduções, simplificações) que aparecem notícias tão pouco informativas, mas que alguma coisa está mal, está.

Nota: A partir dessa notícia do Portugal Diário, há ligações para outras, relevantíssimas, da secção Internacional:
Montanha desenvolve seios
Burro detido por causar acidente de trânsito
Atirou-se de um avião para comemorar 90 anos
Meteu bebé na máquina de secar
Fartinho de ter filhos


Nota 2: A detecção da depressão em doze perguntas, sem mais, e tomando-a como um traço permanente dos indivíduos "deprimidos", também diz da seriedade do "estudo":
They measured depression using 12 questions in the survey which asked respondents the number of days in the last week that they “felt like they could not shake off the blues,” “slept restlessly,” or “felt lonely.”

Mulher a ler


Charles Perugini, Girl reading (In the orangerie)

Proporcionalidade

A: A que factores deve a extensão de um texto ser proporcional?

B: Bom, talvez à informação que contém, à novidade dessa informação, à profundidade da análise, à facilidade de leitura e transporte do meio em que o texto é escrito...

A: E, na prática, a que é proporcional?

B: Talvez à convicção e à verve do autor, ao tempo que tem disponível para escrever, às suas expectativas quando à dimensão e interesse do seu público, à importância que o autor se atribui...

domingo, agosto 20, 2006

Outra divisão possível das pessoas

Poderia ser entre os que preferem a música dos Pink Floyd e os que preferem as letras.

Comfortably Numb

Hello?
Is there anybody in there?
Just nod if you can hear me.
Is there anyone home?

Come on, now.
I hear you're feeling down.
Well I can ease your pain,
Get you on your feet again.

Relax.
I need some information first.
Just the basic facts:
Can you show me where it hurts?

There is no pain, you are receding.
A distant ship's smoke on the horizon.
You are only coming through in waves.
Your lips move but I can't hear what you're sayin'.
When I was a child I had a fever.
My hands felt just like two balloons.
Now I got that feeling once again.
I can't explain, you would not understand.
This is not how I am.
I have become comfortably numb.

Ok.
Just a little pinprick. [ping]
There'll be no more - aaaaaahhhhh!
But you may feel a little sick.

Can you stand up?
I do believe it's working. Good.
That'll keep you going for the show.
Come on it's time to go.

There is no pain, you are receding.
A distant ship's smoke on the horizon.
You are only coming through in waves.
Your lips move but I can't hear what you're sayin'.
When I was a child I caught a fleeting glimpse,
Out of the corner of my eye.
I turned to look but it was gone.
I cannot put my finger on it now.
The child is grown, the dream is gone.
I have become comfortably numb.


(Pink Floyd)

sábado, agosto 19, 2006

Invisíveis

Parece que agora é moda, a propósito e a despropósito, mimar aqueles de quem se discorda com o rótulo de extremistas. Para não variar, a pastora também foi agraciada. Pior do que Salazar, pior do que Staline, imagine-se! (Basta passar de viés os olhos por este blog para perceber quanto isso a atinge; e, se atinge, é pela preocupação de que quem tem tamanhas dificuldades de percepção se possa estatelar mais cedo do que julga possível.) Mas isso até interessa pouco. No extremismo da argumentação, ignora-se uma realidade para qualquer escola da psicologia, que é a existência de doenças mentais. Para muitos, é um tema tabu, são pessoas invisíveis. Se alguém disser que conhece essa realidade, corre o risco de se expor ao ridículo. Pois conheci pessoas próximas nessas condições (e não estou a falar de depressões). Posso testemunhar a limitação de liberdade que isso implica, a angústia pela impotência por parte de quem assiste e o instinto de protecção acrescido por parte de quem ama. Não são casos de piromania(*), só por acaso. Não foram parar à prisão (ou foram vítima de milícias populares), só por acaso (ou não?). Mas vivem num outro tipo de prisão, muito sua. Temo que esta invisibilidade fundada no preconceito impeça estas pessoas frágeis de terem todo apoio social de que necessitam. Para além, claro, das surpresas que quem se faz cego às vezes tem quando lhes caem bombas nas mãos. É coisa que não desejo a ninguém.

(*) Quanto à influência da televisão na actuação de pirómanos, pode argumentar-se que é difícil avaliar que percentagem do total de incêncios se deve a pirómanos. Mas mesmo se for apenas um por cento, isso significa, em dias de quinhentos incêndios, cinco incêndios. Se não valer o bom senso para limitar as labaredas nos ecrãs, há ainda o dever do serviço público a considerar. Estes dois factores, aliás, são responsáveis pela balização da liberdade de expressão e de informação neste meio em muitas outros casos, sem grande celeuma.

sexta-feira, agosto 18, 2006


(Claude Monet, La promenade)

Silly & suburban?

1. Não ver, ver e não comprar

É muito bom passar sem ver televisão e, em especial, não acompanhar séries. Tenho essa sorte. Por isso, só há dias, através de uma capa de revista, conheci finalmente uma "dona de casa desesperada" - que, presumivelmente, faz muito furor e dá saúde às audiências. Perplexidade. Vi uma boneca do Photoshop.


2. Dúvida

O que conferia mais dignidade e paz de espírito quando, há algumas décadas, uma sardinha era partilhada por três? A conformação com o estado das coisas, à maneira budista?


3. "Eles"

Um articulista descobriu que o atendimento nos centros de saúde é kafkiano. Eureka! O que será quando precisar de ir a um centro da Segurança Social... "Eles", os responsáveis, não são necessariamente políticos, são os que não conhecem o país em que a maioria dos seus concidadãos tem de viver. E os que, conhecendo, não reagem.

Quebra-cabeças

1. Pense num número entre 1 e 15.

2. Verifique, nas quatro linhas seguintes, em quais esse número está presente.

1, 3, 5, 7, 9, 11, 13, 15
2, 3, 6, 7, 10, 11, 14, 15
4, 5, 6, 7, 12, 13, 14, 15
8, 9, 10, 11, 12, 13, 14, 15

3. Some os primeiros números das linhas seleccionadas para obter o número escolhido.

4. Como é isto possível?