sexta-feira, agosto 18, 2006


(Claude Monet, La promenade)

Silly & suburban?

1. Não ver, ver e não comprar

É muito bom passar sem ver televisão e, em especial, não acompanhar séries. Tenho essa sorte. Por isso, só há dias, através de uma capa de revista, conheci finalmente uma "dona de casa desesperada" - que, presumivelmente, faz muito furor e dá saúde às audiências. Perplexidade. Vi uma boneca do Photoshop.


2. Dúvida

O que conferia mais dignidade e paz de espírito quando, há algumas décadas, uma sardinha era partilhada por três? A conformação com o estado das coisas, à maneira budista?


3. "Eles"

Um articulista descobriu que o atendimento nos centros de saúde é kafkiano. Eureka! O que será quando precisar de ir a um centro da Segurança Social... "Eles", os responsáveis, não são necessariamente políticos, são os que não conhecem o país em que a maioria dos seus concidadãos tem de viver. E os que, conhecendo, não reagem.

Quebra-cabeças

1. Pense num número entre 1 e 15.

2. Verifique, nas quatro linhas seguintes, em quais esse número está presente.

1, 3, 5, 7, 9, 11, 13, 15
2, 3, 6, 7, 10, 11, 14, 15
4, 5, 6, 7, 12, 13, 14, 15
8, 9, 10, 11, 12, 13, 14, 15

3. Some os primeiros números das linhas seleccionadas para obter o número escolhido.

4. Como é isto possível?

quarta-feira, agosto 16, 2006



Um cenário para terminar.

Viajando com o Google Earth

Alguns montes do interior parecem veios de folhas de alface, com castanhos mesclados de verde. Encontram-se as texturas da superfície do Tejo, cada nuvem, cada árvore, os círculos verdes criados pelos regadores mecânicos. Afastando-nos e atentando em África, olhando para o Saara, verifica-se a enorme heterogeneidade do maior deserto do mundo. Na Líbia, a Leste, olhando mais perto, encontram-se também estranhos círculos verdes, no meio de um terreno árido. Os padrões das dunas egípcias são diferentes dos das tunisinas, que, por sua vez, são diferentes das argelinas e das do Niger. Já o deserto australiano, em retalhos multicolores, é difícil encontrar ao longe. As praias, por todo o lado, magníficas, não têm poluição, nem grafitis, nem ruídos indesejados.

terça-feira, agosto 15, 2006


(Giorgio de Chirico, Torino printanière)

Bónus:
- alfabeto fenício (o primeiro?);
- Byblos (onde se encontraram antigos textos escritos em alfabeto fenício).

Cedro do Líbano


(daqui)

A floresta de cedros

«Ninsun foi ao seu quarto, vestiu um vestido que lhe ficava bem, pôs jóias que lhe embelezavam o peito, colocou uma tiara na cabeça e as suas saias varriam o chão. Então subiu ao altar do Sol, que era no telhado do palácio; queimou incenso e levantou os braços para Shamash enquanto o fumo subia:

«"Ó Shamash, porque deste tu este inquieto coração a Gilgamesh, meu filho? Porque lho deste? Tu o inspiraste, e agora eis que parte para uma longa viagem para a terra de Humbaba, a viajar por uma estrada desconhecida e a travar uma singular batalha. Portanto, desde o dia em que partir até regressar, até que chegue à floresta de cedro, até que mate Humbaba e destrua o mal, que tu, Shamash, abominas, não te esqueças dele; mas que a alvorada, Aya, a tua noiva querida, to recorde sempre; e, quando o dia cair, entrega-o ao vigilante da noite que o guarde do mal." (...)

«Juntos [Gilgamesh e Endiku] desceram à floresta e chegaram à montanha verde. Ali pararam e ficaram tomados de mudez; pararam e contemplaram a floresta. Viram a altura do cedro, viram o caminho para a floresta e o carreiro onde Humbaba costumava passear. O caminho era largo e fácil de percorrer. Contemplaram a montanha de cedros, a morada dos deuses e o trono de Ishtar. A grandeza do cedro erguia-se diante da montanha, a sua sombra era bela e reconfortante; montanha e clareira eram verdes de mato.

«Então Gilgamesh abriu um poço antes do pôr do Sol. Subiu ao alto da montanha e espargiu farinha fina no chão, dizendo:

"Ó montanha, morada dos deuses, traz-me um sonho favorável."»

(in "Gilgamesh", versão de Pedro Tamen do texto inglês de N. K. Sandars, Vega)

quarta-feira, agosto 09, 2006

Pesquisas no Google: serviço público

1. Depois de ouvir mil vezes aquele rapaz russo muito confiante e zilionário do Google dizer a uma entrevistadora que "sim, exactamente", que o que o Google trouxe de novo foi a ordenação dos resultados de pesquisa por relevância, é espantoso que quem procura por "consequencias se bebermos a agua do mar" encontre como segundo resultado... este blog. Isto não é um logro?! Claro que, pior, só mesmo seguir a hiperligação...

2. Apesar da democratização do uso do Google, vêem-se ainda muitas pessoas ignorarem as aspas ao pesquisar expressões, para delimitá-las. Faz toda a diferença! Tal como pensar bem em expressões que poderão aparecer nas páginas que se está à procura de encontrar. No exemplo, pesquisando por "beber água do mar", encontram-se vários documentos esclarecedores - alguns bem curiosos.

domingo, agosto 06, 2006

Agosto kitsch

Procissão

Tocam os sinos da torre da igreja,
Há rosmaninho e alecrim pelo chão.
Na nossa aldeia que Deus a proteja!
Vai passando a procissão.

Mesmo na frente, marchando a compasso,
De fardas novas, vem o solidó.
Quando o regente lhe acena com o braço,
Logo o trombone faz popó, popó.

Olha os bombeiros, tão bem alinhados!
Que se houver fogo vai tudo num fole.
Trazem ao ombro brilhantes machados,
E os capacetes rebrilham ao sol.

Tocam os sinos na torre da igreja,
Há rosmaninho e alecrim pelo chão.
Na nossa aldeia que Deus a proteja!
Vai passando a procissão.

Olha os irmãos da nossa confraria!
Muito solenes nas opas vermelhas!
Ninguém supôs que nesta aldeia havia
Tantos bigodes e tais sobrancelhas!

Ai, que bonitos que vão os anjinhos!
Com que cuidado os vestiram em casa!
Um deles leva a coroa de espinhos.
E o mais pequeno perdeu uma asa!

Tocam os sinos na torre da igreja,
Há rosmaninho e alecrim pelo chão.
Na nossa aldeia que Deus a proteja!
Vai passando a procissão.

Pelas janelas, as mães e as filhas,
As colchas ricas, formando troféu.
E os lindos rostos, por trás das mantilhas,
Parecem anjos que vieram do Céu!

Com o calor, o Prior aflito.
E o povo ajoelha ao passar o andor.
Não há na aldeia nada mais bonito
Que estes passeios de Nosso Senhor!

Tocam os sinos na torre da igreja,
Há rosmaninho e alecrim pelo chão.
Na nossa aldeia que Deus a proteja!
Já passou a procissão.


(António Lopes Ribeiro)