O que magoa é ver o pobre
timorense esquálido beber
água do pântano,
onde se escoam lixos,
comer poeira
e saudar-me, quando
rodo na estrada,
ocioso.
Tantos e tantos outros,
timorenses esquálidos,
olham-me como se dever fosse
abrir covas,
plantar repasto
de milho, arroz e carne,
encher copos vazios,
de bebedeira e sonho,
que não magoe,
mortifique o ócio,
reanime o tempo.
Fugir é melhor que prometer
esperança em melhores dias.
Fugir é atrasar o discurso limite
travado pelas rodas
da dúvida maníaca.
Eu não prometo nada.
Invoco os montes
feridos pela luz,
mar que me circunda
em Díli terra-tédio e de má gente.
Afino-me pelo timbre
limpo das almas
dos timorenses esquálidos
que me soletram vivo.
E sigo,
limpo na alma e no rosto,
sujeito à condição que me redime.
Os Timorenses só terão razão
quando me matarem.
(Ruy Cinatti)
sábado, junho 03, 2006
Timor-Leste: perplexidade
1. Uma constituição deve ser feita à medida dos protagonistas da altura, claro...
2. A Igreja timorense precisa de ser "envolvida" na construção da democracia timorense, não o pode fazer de motu proprio. Até, porque, entre um governo de Alkatiri e a anarquia, a escolha é...
3. Serão os GNR a prender o senhor Alfredo Reinado?
2. A Igreja timorense precisa de ser "envolvida" na construção da democracia timorense, não o pode fazer de motu proprio. Até, porque, entre um governo de Alkatiri e a anarquia, a escolha é...
3. Serão os GNR a prender o senhor Alfredo Reinado?
sexta-feira, junho 02, 2006
Timor-Leste: história de um país sem partido único, mas quase
(...) Companheiros da Luta [timorenses na diáspora],
O divisionismo, incentivado pelos caminhos ideológicos diversos e/ou opostos, levou os timorenses a considerarem-se inimigos, actuando em defesa das suas políticas. Ainda hoje, alguns tentam justificar essas acções para minimizar as culpas ou para afirmar que são inocentes. Creio que, exclusivamente pelos superiores interesses do nosso Povo, devemos apenas lembrar os factos que assinalaram a nossa história, como exercício mental para daí extrair lições, com o propósito de não contribuir, agora e no futuro, para que se faça sofrer o nosso Povo.
Se a violência fora a escolha preferida pelos dirigentes timorenses, a existência de um braço armado na dependência de um Partido, constituiria sempre um factor de interposição na reconstrução de uma unidade sem reservas. Para além disto, o próprio desenvolvimento da Luta retirava os funcionários político-ideológicos das FALINTIL, fazendo-as assumir uma missão mais nobre - a defesa da Pátria! Foi esta a razão do apartidarismo das FALINTIL.
E se, como membro do CCF [Comité Central da FRETILIN], eu assumia até então a responsabilidade pela condução do processo, como Comandante das Falintil e no espírito da CNT [Convergência Nacionalista Timorense], eu pensava estar em condições políticas para não me subordinar a nenhum partido, respeitando-os a todos. Se aos partidos pertenceu a ideologia da libertação da Pátria, às Forças Armadas o papel de praticar essa ideologia na defesa da Pátria, para a sua libertação. Foi assim que nasceu a estrutura do CNRM [Conselho Nacional da Resistência Maubere], que concederia à CNT uma maior dimensão política. (...)
Kay Rala Xanana Gusmão
Cmdt. das FALINTIL
Quartel-General do Conselho Nacional da Resistência Maubere,
em 1 de Maio de 1992
in Xanana Gusmão, "Timor Leste - Um Povo, uma Pátria", Edições Colibri, 1994
O divisionismo, incentivado pelos caminhos ideológicos diversos e/ou opostos, levou os timorenses a considerarem-se inimigos, actuando em defesa das suas políticas. Ainda hoje, alguns tentam justificar essas acções para minimizar as culpas ou para afirmar que são inocentes. Creio que, exclusivamente pelos superiores interesses do nosso Povo, devemos apenas lembrar os factos que assinalaram a nossa história, como exercício mental para daí extrair lições, com o propósito de não contribuir, agora e no futuro, para que se faça sofrer o nosso Povo.
Se a violência fora a escolha preferida pelos dirigentes timorenses, a existência de um braço armado na dependência de um Partido, constituiria sempre um factor de interposição na reconstrução de uma unidade sem reservas. Para além disto, o próprio desenvolvimento da Luta retirava os funcionários político-ideológicos das FALINTIL, fazendo-as assumir uma missão mais nobre - a defesa da Pátria! Foi esta a razão do apartidarismo das FALINTIL.
E se, como membro do CCF [Comité Central da FRETILIN], eu assumia até então a responsabilidade pela condução do processo, como Comandante das Falintil e no espírito da CNT [Convergência Nacionalista Timorense], eu pensava estar em condições políticas para não me subordinar a nenhum partido, respeitando-os a todos. Se aos partidos pertenceu a ideologia da libertação da Pátria, às Forças Armadas o papel de praticar essa ideologia na defesa da Pátria, para a sua libertação. Foi assim que nasceu a estrutura do CNRM [Conselho Nacional da Resistência Maubere], que concederia à CNT uma maior dimensão política. (...)
Kay Rala Xanana Gusmão
Cmdt. das FALINTIL
Quartel-General do Conselho Nacional da Resistência Maubere,
em 1 de Maio de 1992
in Xanana Gusmão, "Timor Leste - Um Povo, uma Pátria", Edições Colibri, 1994
quinta-feira, junho 01, 2006
Jacarandás
quarta-feira, maio 31, 2006
Beggars and Kings
In the evening
all the hours that weren't used
are emptied out
and the beggars are waiting to gather them up
to open them
to find the sun in each one
and teach it its beggar's name
and sing to it It is well
through the night
but each of us
has his own kingdom of pains
and has not yet found them all
and is sailing in search of them day and night
infallible undisputed unresting
filled with a dumb use
and its time
like a finger in a world without hands
(W. S. Merwin)
all the hours that weren't used
are emptied out
and the beggars are waiting to gather them up
to open them
to find the sun in each one
and teach it its beggar's name
and sing to it It is well
through the night
but each of us
has his own kingdom of pains
and has not yet found them all
and is sailing in search of them day and night
infallible undisputed unresting
filled with a dumb use
and its time
like a finger in a world without hands
(W. S. Merwin)
domingo, maio 28, 2006
Simples
Hoje acordei a pensar no sabor do caldo de farinha do meu avô, um sabor diferente de todos os outros com o qual, para meu grande espanto, ele se deliciava. Na rede há referências a um "caldo de farinha" que é tradição gastronómica de alguns lugares, mas que é uma outra coisa, com muito mais ingredientes. Na "receita" que conheci, bastava juntar água a ferver a uma tigela com farinha, açúcar e umas pedrinhas de sal, e mexer. (Era o alimento das mães que tinham filhos para amamentar.) Tão simples e, no entanto, muito mais do que o que tantas crianças miseráveis têm, pelo mundo fora. A existência de farinha pressupõe condições de segurança que permitam o comércio ou um sedentarismo torne possível a agricultura. Lembrei-me disto por causa das crianças do Darfur e de outros infernos, que tão facilmente se esquecem. Por que não anda uma fracção dos jornalistas que cobre as notícias da selecção atrás do Eng. Guterres a relatar o que os olhos dele vêem? [editado]
sexta-feira, maio 26, 2006
Timor-Leste: umas perguntinhas
1. O que é que as Nações Unidas e os países cooperantes com Timor-Leste fizeram em assessoria jurídica às Falintil-FDTL para que, numa altura de protesto dos militares (legítimo ou não), um abandono dos quartéis durante semanas tivesse como resposta umas palmadinhas nas costas e a decisão de os manter lá fora? Não existe outra penalização para deserções?
2. Por que é que ainda não houve em Timor-Leste eleições autárquicas normais: livres e democráticas? A pressão internacional poderia ter feito a diferença.
3. O que é que os partidos portugueses fizeram para ajudar a capacitar os partidos da oposição timorenses no sentido de os tornar uma alternativa credível à Fretilin?
2. Por que é que ainda não houve em Timor-Leste eleições autárquicas normais: livres e democráticas? A pressão internacional poderia ter feito a diferença.
3. O que é que os partidos portugueses fizeram para ajudar a capacitar os partidos da oposição timorenses no sentido de os tornar uma alternativa credível à Fretilin?
domingo, maio 21, 2006
Dúvida
Quem conhece o Direito há-de saber o que eu não sei. Que é saber se quem é responsável por uma investigação criminal pode fender uma prova por o excesso não ser necessário. Um exemplo por absurdo: uma fotografia digital sem valor artístico contém a prova de um crime. Mas contém, também, num canto que poderia ser retirado com um programa de edição de imagens, uma qualquer figura pública "impoluta" em avançado estado de embriaguez (deixo a escolha à imaginação de quem lê). Nada de novo: a polícia deve todos os dias obter, por acaso, informações desnecessárias para o seu trabalho, algumas das quais hão-de ser "interessantes". Se a fotografia for usada em julgamento, cairá fatalmente nos jornais. Desnecessariamente, dirão alguns. Pode então o investigador editar o ficheiro, retirando o que não interessa?
Solidarité
Para onde foi este impulso que deu origem à palavra de ordem? Como se pode defender que se quer pagar menos impostos quando há tanta e tanta gente que não se importaria de pagar mais, mesmo muito mais, se tivesse rendimentos que o justificassem? E há médicos, juizes e professores que cheguem?
Fraternité
Sopa de pastora
Cenoura grande, 1
Nabo, 1
Aipo, 3 talos
Alhos-porros, 2
Cebola, 1
Manteiga, 1 c. de sopa
Caldo de carne, 1/2 l
Quadrados de pão frito e sal, q.b.
Cortam-se os legumes em bocadinhos e fritam-se levemente na manteiga. Junta-se um litro e meio de caldo de carne, tempera-se com sal e deixa-se ferver até estar tudo cozido. À hora de ir para a mesa deita-se na sopa uma mancheia de quadrados de pão fritos em óleo.
(O livro de Pantagruel)
Cenoura grande, 1
Nabo, 1
Aipo, 3 talos
Alhos-porros, 2
Cebola, 1
Manteiga, 1 c. de sopa
Caldo de carne, 1/2 l
Quadrados de pão frito e sal, q.b.
Cortam-se os legumes em bocadinhos e fritam-se levemente na manteiga. Junta-se um litro e meio de caldo de carne, tempera-se com sal e deixa-se ferver até estar tudo cozido. À hora de ir para a mesa deita-se na sopa uma mancheia de quadrados de pão fritos em óleo.
(O livro de Pantagruel)
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