quinta-feira, maio 11, 2006
Detrás de uma pedra da parede do abrigo, um papel amarelecido pelo tempo
Há um príncipe na cidade. Anda disfarçado de gente vulgar e, por isso, ninguém o reconhece no meio da multidão. Mas é ele, sim, é ele que ali vai. Sei o seu segredo porque ele próprio mo revelou.
Contou-me que era descendente de uma dinastia antiga, que perdera o seu reino por uma traição, mas que insistia em sobreviver para preservar a sua nobreza. Contou-me também que ele, tal como os seus antepassados, tinha sido educado numa ilha distante, por uma confraria secreta que vivia à espera de uma Utopia. Aí, ensinaram-lhe a coragem para vencer batalhas, a sensibilidade para estimar a arte, a sabedoria para distinguir as causas justas, a compaixão para amparar os miseráveis, o respeito pela diferença. Tudo isto ele aprendeu e guardou no seu coração.
segunda-feira, maio 08, 2006
Hanoin Timor oan sira
O que tratá o futuro?
domingo, maio 07, 2006
Receita
Esta não é, definitivamente, a versão "mais simples" da mousse de chocolate, nem a menos calórica... Mas o que é que isso interessa aqui?
Mousse de chocolate
É a sobremesa afrodisíaca por excelência, obrigatória nos bons restaurantes e um convite formal ao amor. Existem muitas versões desta sobremesa; aqui vamos dar a mais simples. Se se estragar, finja que ficou exactamente como pretendia e sirva-a em taças. Se mesmo assim não ficar apresentável, utilize-a como loção para massagens sensuais.
Ingredientes
170 g de chocolate negro
3 colheres de sopa de café forte
2 ovos, gemas e claras batidas em castelo separadamente
1/2 chávena de natas espessas
1 colher de sopa de licor de laranja
Umas gotas de baunilha
Preparação
Dissolva o chocolate em lume brando no café. Deite as gemas, mexa e cozinhe durante 2 minutos. Retire, deixe arrefecer e junte as claras, as natas, a baunilha e o licor. Ponha no frigorífico em taças que pode enfeitar a seu gosto.
Bon appetit!
quinta-feira, maio 04, 2006
quarta-feira, maio 03, 2006
Em tempos em que a reforma passa a ser indexada à esperança média de vida
Em tempos de uso incorrecto da palavra "construtivismo"
Da Wikipédia:
Constructivist theory
Formalization of the theory of constructivism is generally attributed to Jean Piaget, who articulated mechanisms by which knowledge is internalized by learners. He suggested that through processes of accommodation and assimilation, individuals construct new knowledge from their experiences. Assimilation occurs when individuals' experiences are aligned with their internal representation of the world. They assimilate the new experience into an already existing framework. Accommodation is the process of reframing one's mental representation of the external world to fit new experiences. Accommodation can be understood as the mechanism by which failure leads to learning. When we act on the expectation that the world operates in one way and it violates our expectations, we often fail. By accommodating this new experience and reframing our model of the way the world works, we learn from the experience of failure.
It is important to note that constructivism itself does not suggest one particular pedagogy. In fact, constructivism describes how learning happens, regardless of whether the learner is leveraging their experiences to understand a lecture or attempting to design a model airplane. In both cases, the theory of constructivism suggests that learners construct knowledge. Constructivism as a description of human cognition is often confused with pedagogic approaches that promote learning by doing.
-Failure to distinguish between a constructivist approach and maturationist views
Constructivist views are commonly mistaken with the views of maturationist. "The romantic maturationist stream is based on the idea that the student's naturally occurring development should be allowed to flower without adult interventions in a permissive environment" (DeVries et al., 2002). Whereas, the constructivist stream (or the cognitive-developmental stream) "is based on the idea that the dialectic or interactionist process of development and learning through the student's active construction should be facilitated and promoted by adults" (DeVries et al., 2002).
segunda-feira, maio 01, 2006
because you would rather black the boots of
success than enquire whose soul dangles from his
watch-chain which would be embarrassing for both
parties and because you
unflinchingly applaud all
songs containing the words country home and
mother when sung at the old howard
Humanity i love you because
when you're hard up you pawn your
intelligence to buy a drink and when
you're flush pride keeps
you from the pawn shops and
because you are continually committing
nuisances but more
especially in your own house
Humanity i love you because you
are perpetually putting the secret of
life in your pants and forgetting
it's there and sitting down
on it
and because you are
forever making poems in the lap
of death Humanity
i hate you
(e.e. cummings)
domingo, abril 30, 2006
Sopa de pedra
Orelha e cabeça de porco, 1 kg
Entrecosto de porco, 200 g
Carne de vaca para cozer, 250 g
Toucinho entremeado, 100 g
Chouriço, 1
Morcela, 1
Conve lombarda pequena, 1
Batatas, 400 g
Cenouras, 2
Cebolas, 2
Alhos, 2
Louro, 1 folha
Água e sal, q.b.
Farinheira, hortelã e coentros (facultativo), q.b.
De véspera raspam-se e limpam-se bem a orelha e a cabeça de porco, salgam-se juntamente com o entrecosto e põe-se o feijão de molho. No dia seguinte lavam-se as carnes e os enchidos e põem-se a cozer em água e sal. Separadamente, põe-se também o feijão a cozer em água e sal. À medida que forem cozendo, vai-se retirando as carnes sucessivamente, para não se espapaçarem, visto que a carne de porco, por exemplo, coze muito mais depressa do que a de vaca, o mesmo acontecendo com a morcela em relação ao chouriço. Logo que se retirarem todas as carnes, juntam-se, cortadas em pedaços, a couve, as cenouras, as cebolas, os alhos picados, o louro e, algum tempo depois, as batatas também em pedaços. Entretanto, escorre-se o feijão, do qual se retiram duas conchas, que se passam pelo passe-vite. Quando os legumes estiverem cozidos, juntam-se-lhes os feijões inteiros e os passados. Deixa-se ferver tudo para apurar e rectifica-se de sal. Cortam-se as carnes de porco e de vaca em bocados, os enchidos em rodelas e o toucinho em fatias. Deitam-se as carnes na panela e, logo que levantar fervura, adicionam-se os enchidos e o toucinho, servindo-se imediatamente. Empregando farinheira, deve pôr-se a cozer juntamente com as carnes, tendo em conta que o seu tempo de cozedura é muito rápido. Temperando com coentros, devem deitar-se ao mesmo tempo que os legumes. Se for o caso de se empregar hortelã, basta juntar um ramo ao mesmo tempo que os enchidos. Por gracinha, põe-se em cada prato uma pedra redonda, tipo seixo rolado do dio, mas previamente bem lacada.
(O livro de Pantagruel)
Há quem encontre nesta sopa Deus, colesterol, efeitos afrodisíacos, you name it. Uma coisa é certa: o segredo está na pedra.
sexta-feira, abril 28, 2006
Sapateiro de província
Naquela terra, havia um único sapateiro, que era o mais pobre dos homens. Não tinha herdado terras para cultivar, pelo que teve de aprender aquele ofício, cujo aprendizado lhe saiu caro, considerando que a família quase nada tinha de seu. Calcorreava, sempre que o chamavam, serras atrás de serras, para dedicar dias inteiros, numa casa, a consertar e a fazer novos sapatos para todos os membros de uma família, ou pelo menos para os que precisavam deles para a missa ou para o trabalhos mais duros do campo. A remuneração era feita em géneros, na proporção que os patrões do dia achavam justo e podiam pagar, mas sempre escassa para alimentar mulher e filhos que, em casa, esperavam por uma ceia acompanhada, pelo menos, com um pedaço de broa dura. Aprendeu, por isso, a caçar e a pescar, e por vezes tinha de pisar o risco da lei para que não passassem fome.
Foi esta modelação do temperamento e as histórias vividas que contava que o tornaram um companheiro admirável de roda de fogueira.




