Ah! as coisas incríveis que eu te contava
assim misturadas com luas e estrelas
e a voz vagarosa como o andar da noite!
As coisas incríveis que eu te contava
e me deixavam hirto de surpresa
na solidão da vila quieta!...
Que eu vinha alta noite
como quem vem de longe
e sabe o segredo dos grandes silêncios
- os meus braços no jeito de pedir
e os meus olhos pedindo
o corpo que tu mal debruçavas da varanda!...
(As coisas incríveis eu só as contava
depois de as ouvir do teu corpo, da noite
e da estrela, por cima dos teus cabelos.
Aquela estrela que parecia de propósito para enfeitar os teus cabelos
quando eu ia namorar-te...)
Mas tudo isso, que era tudo para nós,
não era nada da vida!...
Da vida é isto que a vida faz.
Ah! sim, isto que a vida faz!...
- isto de tu seres a esposa séria e triste
de um terceiro oficial de finanças da Câmara Municipal!...
(Manuel da Fonseca)
sexta-feira, setembro 16, 2005
quinta-feira, setembro 15, 2005
quarta-feira, setembro 14, 2005
Estudos
O estado paga milhões a escritórios de advogados para fazerem estudos (por vezes, apenas "estudos prévios"...) em áreas em que não são especialistas. Por outro lado, quando há estudos de especialistas, que assim empenham a sua credibilidade científica, as decisões políticas ignoram esses estudos, e seguem critérios demagógicos. Como evitar que isto aconteça?
Os professores andam com a casa às costas, e têm-nas... largas.
1. Num dia, os professores portugueses são os mais bem pagos da Europa. Noutro, estão em décimo sétimo lugar entre os países da OCDE. Uma das duas afirmações não pode ser verdadeira, não é?
2. E se, com os mesmos professores, estes estivessem mais horas nas escolas, diminuindo o número de alunos por turma? Se houvesse locais nas escolas para os professores trabalharem, fora das aulas? Não haveria menos abandono escolar?
2. E se, com os mesmos professores, estes estivessem mais horas nas escolas, diminuindo o número de alunos por turma? Se houvesse locais nas escolas para os professores trabalharem, fora das aulas? Não haveria menos abandono escolar?
segunda-feira, setembro 12, 2005
domingo, setembro 11, 2005
Yo no digo esta canción
sino a quien comigo va.
Romance del Conde Arnaldos
*
Nocturno a duas vozes
—Que posso eu fazer
senão beber-te os olhos
enquanto a noite
não cessa de crescer?
—Repara como sou jovem,
como nada em mim
encontrou o seu cume,
como nenhuma ave
poisou ainda nos meus ramos,
e amo-te,
bosque, mar, constelação.
—Não tenhas medo:
nenhum rumor,
mesmo o do teu coração,
anunciará a morte;
a morte
vem sempre de outra maneira,
alheia
aos longos, brancos
corredores da madrugada.
—Não é de medo
que tremem os meus lábios,
tremo por um fruto de lume
e solidão
que é todo o oiro dos teus olhos,
toda a luz
que meus dedos têm
para colher na noite.
—Vê como brilha
a estrela da manhã,
como a terra
é só um cheiro de eucaliptos,
e um rumor de água
vem no vento.
—Tu és a água, a terra, o vento,
a estrela da manhã és tu ainda.
—Cala-te, as palavras doem.
Como dói um barco,
como dói um pássaro
ferido
no limiar do dia.
Amo-te.
Amo-te para que subas comigo
à mais alta torre,
para que tudo em ti
seja verão, dunas e mar.
(Eugénio de Andrade)
sino a quien comigo va.
Romance del Conde Arnaldos
*
Nocturno a duas vozes
—Que posso eu fazer
senão beber-te os olhos
enquanto a noite
não cessa de crescer?
—Repara como sou jovem,
como nada em mim
encontrou o seu cume,
como nenhuma ave
poisou ainda nos meus ramos,
e amo-te,
bosque, mar, constelação.
—Não tenhas medo:
nenhum rumor,
mesmo o do teu coração,
anunciará a morte;
a morte
vem sempre de outra maneira,
alheia
aos longos, brancos
corredores da madrugada.
—Não é de medo
que tremem os meus lábios,
tremo por um fruto de lume
e solidão
que é todo o oiro dos teus olhos,
toda a luz
que meus dedos têm
para colher na noite.
—Vê como brilha
a estrela da manhã,
como a terra
é só um cheiro de eucaliptos,
e um rumor de água
vem no vento.
—Tu és a água, a terra, o vento,
a estrela da manhã és tu ainda.
—Cala-te, as palavras doem.
Como dói um barco,
como dói um pássaro
ferido
no limiar do dia.
Amo-te.
Amo-te para que subas comigo
à mais alta torre,
para que tudo em ti
seja verão, dunas e mar.
(Eugénio de Andrade)
sexta-feira, setembro 09, 2005
A manhã
A manhã estática parada
Entre o Tejo azul e a Torre branca
Que branca e barroca sobe das águas
Manhã acesa de silêncio e louvor
Na breve primavera violenta
Assim a minha vida que era calma
De repente se tornou ânsia e saudade
Mas a brisa da varanda é doce e suave
Um pássaro canta porque alguém regou.
(Sophia de Mello Breyner Andresen)
Entre o Tejo azul e a Torre branca
Que branca e barroca sobe das águas
Manhã acesa de silêncio e louvor
Na breve primavera violenta
Assim a minha vida que era calma
De repente se tornou ânsia e saudade
Mas a brisa da varanda é doce e suave
Um pássaro canta porque alguém regou.
(Sophia de Mello Breyner Andresen)
quinta-feira, setembro 08, 2005
Desenvolvimento humano
No Relatório da ONU sobre o Desenvolvimento Humano, divulgado ontem, aparecem, nas páginas 219 e 220, os 57 estados considerados como tendo um elevado desenvolvimento humano. A última coluna da tabela dá a diferença entre as posições no ranking do PIB per capita e no ranking do índice de desenvolvimento humano. Uma questão de políticas.
Com diferenças com módulo igual ou superior a 10, surgem:
- com políticas mais eficazes no que ao desenvolvimento humano diz respeito:
Suécia (14)
Argentina (12)
Polónia (12)
Chile (17)
Uruguai (16)
Costa Rica (10)
Cuba (40)
Tonga (17)
Bulgária (10)
Panamá (17)
- com políticas menos eficazes no que ao desenvolvimento humano diz respeito:
Qatar (-13)
Emirados Árabes Unidos (-18)
Kuwait (-11)
Bahamas (-13)
Comentários?
Com diferenças com módulo igual ou superior a 10, surgem:
- com políticas mais eficazes no que ao desenvolvimento humano diz respeito:
Suécia (14)
Argentina (12)
Polónia (12)
Chile (17)
Uruguai (16)
Costa Rica (10)
Cuba (40)
Tonga (17)
Bulgária (10)
Panamá (17)
- com políticas menos eficazes no que ao desenvolvimento humano diz respeito:
Qatar (-13)
Emirados Árabes Unidos (-18)
Kuwait (-11)
Bahamas (-13)
Comentários?
Concursos de televisão
Mais misteriosa do que a razão pela qual alguém se sujeita a ver as suas limitações exploradas num concurso de televisão, só mesmo aquela que leva as pessoas a expor a sua imensa ignorância frente a milhões de pessoas.
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