sexta-feira, setembro 02, 2005
Sinais
Numa situação de catástrofe, a primeira preocupação das autoridades norte-americanas é com a propriedade, não com a sobrevivência dos seus concidadãos.
Lady Lazarus
I have done it again.
One year in every ten
I manage it—
A sort of walking miracle, my skin
Bright as a Nazi lampshade,
My right foot
A paperweight,
My face a featureless, fine
Jew linen.
Peel off the napkin
0 my enemy.
Do I terrify?—
The nose, the eye pits, the full set of teeth?
The sour breath
Will vanish in a day.
Soon, soon the flesh
The grave cave ate will be
At home on me
And I a smiling woman.
I am only thirty.
And like the cat I have nine times to die.
This is Number Three.
What a trash
To annihilate each decade.
What a million filaments.
The peanut-crunching crowd
Shoves in to see
Them unwrap me hand and foot
The big strip tease.
Gentlemen, ladies
These are my hands
My knees.
I may be skin and bone,
Nevertheless, I am the same, identical woman.
The first time it happened I was ten.
It was an accident.
The second time I meant
To last it out and not come back at all.
I rocked shut
As a seashell.
They had to call and call
And pick the worms off me like sticky pearls.
Dying
Is an art, like everything else,
I do it exceptionally well.
I do it so it feels like hell.
I do it so it feels real.
I guess you could say I've a call.
It's easy enough to do it in a cell.
It's easy enough to do it and stay put.
It's the theatrical
Comeback in broad day
To the same place, the same face, the same brute
Amused shout:
'A miracle!'
That knocks me out.
There is a charge
For the eyeing of my scars, there is a charge
For the hearing of my heart—
It really goes.
And there is a charge, a very large charge
For a word or a touch
Or a bit of blood
Or a piece of my hair or my clothes.
So, so, Herr Doktor.
So, Herr Enemy.
I am your opus,
I am your valuable,
The pure gold baby
That melts to a shriek.
I turn and burn.
Do not think I underestimate your great concern.
Ash, ash—
You poke and stir.
Flesh, bone, there is nothing there—
A cake of soap,
A wedding ring,
A gold filling.
Herr God, Herr Lucifer
Beware
Beware.
Out of the ash
I rise with my red hair
And I eat men like air.
(Sylvia Plath)
One year in every ten
I manage it—
A sort of walking miracle, my skin
Bright as a Nazi lampshade,
My right foot
A paperweight,
My face a featureless, fine
Jew linen.
Peel off the napkin
0 my enemy.
Do I terrify?—
The nose, the eye pits, the full set of teeth?
The sour breath
Will vanish in a day.
Soon, soon the flesh
The grave cave ate will be
At home on me
And I a smiling woman.
I am only thirty.
And like the cat I have nine times to die.
This is Number Three.
What a trash
To annihilate each decade.
What a million filaments.
The peanut-crunching crowd
Shoves in to see
Them unwrap me hand and foot
The big strip tease.
Gentlemen, ladies
These are my hands
My knees.
I may be skin and bone,
Nevertheless, I am the same, identical woman.
The first time it happened I was ten.
It was an accident.
The second time I meant
To last it out and not come back at all.
I rocked shut
As a seashell.
They had to call and call
And pick the worms off me like sticky pearls.
Dying
Is an art, like everything else,
I do it exceptionally well.
I do it so it feels like hell.
I do it so it feels real.
I guess you could say I've a call.
It's easy enough to do it in a cell.
It's easy enough to do it and stay put.
It's the theatrical
Comeback in broad day
To the same place, the same face, the same brute
Amused shout:
'A miracle!'
That knocks me out.
There is a charge
For the eyeing of my scars, there is a charge
For the hearing of my heart—
It really goes.
And there is a charge, a very large charge
For a word or a touch
Or a bit of blood
Or a piece of my hair or my clothes.
So, so, Herr Doktor.
So, Herr Enemy.
I am your opus,
I am your valuable,
The pure gold baby
That melts to a shriek.
I turn and burn.
Do not think I underestimate your great concern.
Ash, ash—
You poke and stir.
Flesh, bone, there is nothing there—
A cake of soap,
A wedding ring,
A gold filling.
Herr God, Herr Lucifer
Beware
Beware.
Out of the ash
I rise with my red hair
And I eat men like air.
(Sylvia Plath)
quinta-feira, setembro 01, 2005
quarta-feira, agosto 31, 2005
O poder do pânico
«O medo vai ter tudo»
(Alexandre O'Neill)
Pergunto-me como terá começado o boato assassino que hoje matou quase seis centenas de pessoas, em Bagdade. Terá sido intencional? (Em vez de um bombista, terá havido um efabulador suicida? Ou haveria realmente um bombista?) Ou terá sido um crescendo de equívocos que se foi propagando? O mais provável é nunca se vir a saber.
É terrível pensar que somos mais vulneráveis quando estamos juntos, em grande número. Até porque as multidões que se formam para grandes celebrações religiosas são constituídas, muitas vezes, por pessoas desesperadas, que têm na religião não só o seu bálsamo, mas também a sua tábua de salvação.
Este horrível acidente provocado por homens poderia ter acontecido em qualquer parte do mundo onde já se tivesse ouvido a palavra "terrorismo", embora fosse mais provável num lugar diariamente martirizado por atentados. Um lugar em que duas seitas de uma mesma região partilham um território e uma riqueza comum e tentam agora encontrar regras para essa convivência. E há ainda tendências dentro de cada seita... Os xiitas sabem que, nas suas grandes celebrações religiosas, são vulneráveis a ataques. (Celebram datas de mortes e de martírios de líderes religiosos, coisa que não é comum noutras religiões.) Agora têm mais um martírio para o calendário, de seis centenas de seres humanos que morreram de forma estúpida. Poderia tudo isto, ao menos, unir os iraquianos enquanto grande família?
Também estou de luto, hoje.
(Alexandre O'Neill)
Pergunto-me como terá começado o boato assassino que hoje matou quase seis centenas de pessoas, em Bagdade. Terá sido intencional? (Em vez de um bombista, terá havido um efabulador suicida? Ou haveria realmente um bombista?) Ou terá sido um crescendo de equívocos que se foi propagando? O mais provável é nunca se vir a saber.
É terrível pensar que somos mais vulneráveis quando estamos juntos, em grande número. Até porque as multidões que se formam para grandes celebrações religiosas são constituídas, muitas vezes, por pessoas desesperadas, que têm na religião não só o seu bálsamo, mas também a sua tábua de salvação.
Este horrível acidente provocado por homens poderia ter acontecido em qualquer parte do mundo onde já se tivesse ouvido a palavra "terrorismo", embora fosse mais provável num lugar diariamente martirizado por atentados. Um lugar em que duas seitas de uma mesma região partilham um território e uma riqueza comum e tentam agora encontrar regras para essa convivência. E há ainda tendências dentro de cada seita... Os xiitas sabem que, nas suas grandes celebrações religiosas, são vulneráveis a ataques. (Celebram datas de mortes e de martírios de líderes religiosos, coisa que não é comum noutras religiões.) Agora têm mais um martírio para o calendário, de seis centenas de seres humanos que morreram de forma estúpida. Poderia tudo isto, ao menos, unir os iraquianos enquanto grande família?
Também estou de luto, hoje.
Respondendo a uma vaga de fundo da sociedade portuguesa, aqui a apresento (v.3):
ÍTACA
Quando começares a tua viagem para Ítaca
anseia por que o caminho seja longo,
cheio de aventuras, cheio de conhecimento.
Dos Lestrígones e dos Ciclopes,
do irado Posídon não tenhas medo,
nunca encontrarás coisas dessas no teu caminho,
se o teu pensamento se mantiver elevado, se um distinto
sentimento o teu espírito e o teu corpo tocar.
Os Lestrígones e os Ciclopes,
o feroz Posídon não encontrarás,
se não os carregares na tua alma,
se a tua alma não tos apresentar.
Anseia por que o caminho seja longo.
Que sejam muitas as manhãs de Verão
que com tal satisfação, com tal alegria,
entrarás em portos pela primeira vez;
pára em mercados fenícios,
para adquirires as boas mercadorias,
madrepérolas e corais, âmbares e ébanos,
e perfumes inebriantes de todos os tipos,
a maior quantidade de perfumes inebriantes;
visita muitas cidades do Egipto,
para aprenderes e aprenderes dos sábios.
Mantém Ítaca sempre no teu pensamento.
A chegada aí é o teu propósito.
Mas não apresses de maneira nenhuma a viagem.
Melhor que dure muitos anos;
e que chegues velho à ilha,
rico com tudo o que ganhaste no caminho,
não esperando que Ítaca te dê riqueza.
Ítaca deu-te a bela viagem.
Sem ela nunca terias começado.
Mas não tem mais nada para te dar.
E se a encontrares pobre, Ítaca não te enganou.
Assim que te tornaste sábio, com tanta experiência,
terás já percebido o que as Ítacas significam.
Konstandinos Kavafis, 1910
Tradução de Carla Hilário Quevedo (com vénia)
Nota 1: Encontrei na rede várias traduções deste poema. Não sabendo eu nada de grego, escolhi pelo português.
Nota 2: Pelo caminho, além de um sítio onde encontrei uma das traduções, o Galaaz Literatura Portuguesa, descobri outro também interessante: o BookCrossing. Não sabia que a ideia já estava tão difundida.
Quando começares a tua viagem para Ítaca
anseia por que o caminho seja longo,
cheio de aventuras, cheio de conhecimento.
Dos Lestrígones e dos Ciclopes,
do irado Posídon não tenhas medo,
nunca encontrarás coisas dessas no teu caminho,
se o teu pensamento se mantiver elevado, se um distinto
sentimento o teu espírito e o teu corpo tocar.
Os Lestrígones e os Ciclopes,
o feroz Posídon não encontrarás,
se não os carregares na tua alma,
se a tua alma não tos apresentar.
Anseia por que o caminho seja longo.
Que sejam muitas as manhãs de Verão
que com tal satisfação, com tal alegria,
entrarás em portos pela primeira vez;
pára em mercados fenícios,
para adquirires as boas mercadorias,
madrepérolas e corais, âmbares e ébanos,
e perfumes inebriantes de todos os tipos,
a maior quantidade de perfumes inebriantes;
visita muitas cidades do Egipto,
para aprenderes e aprenderes dos sábios.
Mantém Ítaca sempre no teu pensamento.
A chegada aí é o teu propósito.
Mas não apresses de maneira nenhuma a viagem.
Melhor que dure muitos anos;
e que chegues velho à ilha,
rico com tudo o que ganhaste no caminho,
não esperando que Ítaca te dê riqueza.
Ítaca deu-te a bela viagem.
Sem ela nunca terias começado.
Mas não tem mais nada para te dar.
E se a encontrares pobre, Ítaca não te enganou.
Assim que te tornaste sábio, com tanta experiência,
terás já percebido o que as Ítacas significam.
Konstandinos Kavafis, 1910
Tradução de Carla Hilário Quevedo (com vénia)
Nota 1: Encontrei na rede várias traduções deste poema. Não sabendo eu nada de grego, escolhi pelo português.
Nota 2: Pelo caminho, além de um sítio onde encontrei uma das traduções, o Galaaz Literatura Portuguesa, descobri outro também interessante: o BookCrossing. Não sabia que a ideia já estava tão difundida.
terça-feira, agosto 30, 2005
Ítaca rodeada pelas ondas
Ítaca
Não vale a pena suportar tanto castigo.
Procuras Ítaca. Mas só há esse procurar.
Onde quer que te encontres está contigo
dentro de ti em casa na distância
onde quer que procures há outro mar
Ítaca é a tua própria errância.
(Manuel Alegre)
Não vale a pena suportar tanto castigo.
Procuras Ítaca. Mas só há esse procurar.
Onde quer que te encontres está contigo
dentro de ti em casa na distância
onde quer que procures há outro mar
Ítaca é a tua própria errância.
(Manuel Alegre)
segunda-feira, agosto 29, 2005
Eureka!
Estaria George Steiner enganado? Será esta a muito aguardada outra coisa?
Pista para a leitura do primeiro "post": Norwegian Festival of Literature.
Pista para a leitura do primeiro "post": Norwegian Festival of Literature.
domingo, agosto 28, 2005
«Estudo afirma que homens têm QI médio superior às mulheres» (Lusa, 25/8/05)
1. «Os investigadores frisam no entanto "que quando os níveis de QI são iguais (entre homens e mulheres), as mulheres são mais eficazes do que os homens pois elas são mais conscienciosas e capazes de suportar longos períodos de trabalho".» (id.)
Poderemos concluir daqui que o QI não mede directamente a "capacidade para fazer coisas" e que, para uma mesma capacidade de realizar testes de QI, as mulheres são mais... inteligentes?
2. Usa-se o resultado para "ajudar a explicar" o desequilíbrio na distribuição por sexos dos prémios Nobel. Por que é que terão achado que é preciso uma "explicação" para lá dos factores culturais? Aparentemente, nem tentaram quantificá-los.
3. Em vez de prémios Nobel, por que não falaram de pornografia e de futebol?
Poderemos concluir daqui que o QI não mede directamente a "capacidade para fazer coisas" e que, para uma mesma capacidade de realizar testes de QI, as mulheres são mais... inteligentes?
2. Usa-se o resultado para "ajudar a explicar" o desequilíbrio na distribuição por sexos dos prémios Nobel. Por que é que terão achado que é preciso uma "explicação" para lá dos factores culturais? Aparentemente, nem tentaram quantificá-los.
3. Em vez de prémios Nobel, por que não falaram de pornografia e de futebol?
sábado, agosto 27, 2005
Voto
"A sinistralidade rodoviária diminuiu oito por cento este ano face ao mesmo período de 2004."
E se as notícias que se repetem anualmente fossem boas notícias como esta?
E se as notícias que se repetem anualmente fossem boas notícias como esta?
quinta-feira, agosto 25, 2005
Agradecimentos
Ao blog Posto de Escuta, pelo destaque dado ao poema de Adolfo Casais Monteiro; ao Pensar enlouquece, pense nisso, pelo destaque a este Abrigo; e ao ...e Para Tudo o Resto - O que é isto? pelas palavras simpáticas: obrigada!
quarta-feira, agosto 24, 2005
Eu falo das casas e dos homens
Eu falo das casas e dos homens,
dos vivos e dos mortos:
do que passa e não volta nunca mais...
Não me venham dizer que estava materialmente
previsto,
ah, não me venham com teorias!
Eu vejo a desolação e a fome,
as angústias sem nome,
os pavores marcados para sempre nas faces trágicas
das vítimas.
E sei que vejo, sei que imagino apenas uma ínfima,
uma insignificante parcela da tragédia.
Eu, se visse, não acreditava.
Se visse, dava em louco ou profeta,
dava em chefe de bandidos, em salteador de estrada,
- mas não acreditava!
Olho os homens, as casas e os bichos.
Olho num pasmo sem limites,
e fico sem palavras,
na dor de serem homens que fizeram tudo isto:
esta pasta ensanguentada a que reduziram a terra inteira,
esta lama de sangue e alma,
de coisa a ser,
e pergunto numa angústia se ainda haverá alguma esperança,
se o ódio sequer servirá para alguma coisa...
Deixai-me chorar - e chorai!
As lágrimas lavarão ao menos a vergonha de estarmos vivos,
de termos sancionado com o nosso silêncio o crime feito instituição
e enquanto chorarmos talvez julguemos nosso o drama,
por momentos será nosso um pouco do sofrimento alheio,
por um segundo seremos os mortos e os torturados,
os aleijados para toda a vida, os loucos e os encarcerados,
seremos a terra podre de tanto cadáver,
seremos o sangue das árvores,
o ventre doloroso das casas saqueadas,
- sim, por um momento seremos a dor de tudo isto...
Eu não sei porque me caem as lágrimas,
porque tremo e que arrepio corre dentro de mim,
eu que não tenho parentes nem amigos na guerra,
eu que sou estrangeiro diante de tudo isto,
eu que estou na minha casa sossegada,
eu que não tenho guerra à porta,
- eu porque tremo e soluço?
Quem chora em mim, dizei - quem chora em nós?
Tudo aqui vai como um rio farto de conhecer os seus meandros:
as ruas são ruas com gente e automóveis,
não há sereias a gritar pavores irreprimíveis,
e a miséria é a mesma miséria que já havia...
E se tudo é igual aos dias antigos,
apesar da Europa à nossa volta, exangue e mártir,
eu pergunto se não estaremos a sonhar que somos gente,
sem irmãos nem consciência, aqui enterrados vivos,
sem nada senão lágrimas que vêm tarde, e uma noite à volta,
uma noite em que nunca chega o alvor da madrugada...
(Adolfo Casais Monteiro)
dos vivos e dos mortos:
do que passa e não volta nunca mais...
Não me venham dizer que estava materialmente
previsto,
ah, não me venham com teorias!
Eu vejo a desolação e a fome,
as angústias sem nome,
os pavores marcados para sempre nas faces trágicas
das vítimas.
E sei que vejo, sei que imagino apenas uma ínfima,
uma insignificante parcela da tragédia.
Eu, se visse, não acreditava.
Se visse, dava em louco ou profeta,
dava em chefe de bandidos, em salteador de estrada,
- mas não acreditava!
Olho os homens, as casas e os bichos.
Olho num pasmo sem limites,
e fico sem palavras,
na dor de serem homens que fizeram tudo isto:
esta pasta ensanguentada a que reduziram a terra inteira,
esta lama de sangue e alma,
de coisa a ser,
e pergunto numa angústia se ainda haverá alguma esperança,
se o ódio sequer servirá para alguma coisa...
Deixai-me chorar - e chorai!
As lágrimas lavarão ao menos a vergonha de estarmos vivos,
de termos sancionado com o nosso silêncio o crime feito instituição
e enquanto chorarmos talvez julguemos nosso o drama,
por momentos será nosso um pouco do sofrimento alheio,
por um segundo seremos os mortos e os torturados,
os aleijados para toda a vida, os loucos e os encarcerados,
seremos a terra podre de tanto cadáver,
seremos o sangue das árvores,
o ventre doloroso das casas saqueadas,
- sim, por um momento seremos a dor de tudo isto...
Eu não sei porque me caem as lágrimas,
porque tremo e que arrepio corre dentro de mim,
eu que não tenho parentes nem amigos na guerra,
eu que sou estrangeiro diante de tudo isto,
eu que estou na minha casa sossegada,
eu que não tenho guerra à porta,
- eu porque tremo e soluço?
Quem chora em mim, dizei - quem chora em nós?
Tudo aqui vai como um rio farto de conhecer os seus meandros:
as ruas são ruas com gente e automóveis,
não há sereias a gritar pavores irreprimíveis,
e a miséria é a mesma miséria que já havia...
E se tudo é igual aos dias antigos,
apesar da Europa à nossa volta, exangue e mártir,
eu pergunto se não estaremos a sonhar que somos gente,
sem irmãos nem consciência, aqui enterrados vivos,
sem nada senão lágrimas que vêm tarde, e uma noite à volta,
uma noite em que nunca chega o alvor da madrugada...
(Adolfo Casais Monteiro)
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