quarta-feira, abril 13, 2005

Imigrantes

Alguma vez os leitores comodamente instalados em frente a um monitor de um computador se imaginaram na pele de um imigrante ilegal?

Dúvida

Se por aqui passar alguém que tenha tido a experiência da clandestinidade, será que me podia indicar o quanto é que o anonimato num blog pode corresponder a essa experiência? Um milésimo?... Um milionésimo?... Como seria a clandestinidade?

"Capitães de Abril"

Esta entrada intempestiva é só para dizer que esta pastora apreciou a muito poética metáfora da amiga imaginária de Salgueiro Maia no filme "Capitães de Abril".

"Recordam-se, vocês aí, escrupulosos detritos?"

(Alexandre O'Neill)

Eram jovens e eram milhares. Marchavam por um país melhor. Foram fazer sentir a sua indignação aos representantes do povo. Quando chegaram, a polícia recebeu-os à bastonada. Lembram-se? Umas semanas mais tarde, meia dúzia de irresponsáveis fez uma palhaçada de mau gosto amplamente reproduzida pela televisão. O saldo foi o epíteto de "geração rasca". Mas parece-me, ainda, que aquele ano condenou à condição de rascas todas as gerações futuras, e tornou rascas também as gerações que o decidiram.

terça-feira, abril 12, 2005

A catedral


(Auguste Rodin)

Fonte: Texere

Nem sempre sou igual no que digo e escrevo.

Nem sempre sou igual no que digo e escrevo.
Mudo, mas não mudo muito.
A cor das flores não é a mesma ao sol
De que quando uma nuvem passa
Ou quando entra a noite
E as flores são cor da sombra.

Mas quem olha bem vê que são as mesmas flores.
Por isso quando pareço não concordar comigo,

Reparem bem para mim:
Se estava virado para a direita,
Voltei-me agora para a esquerda,
Mas sou sempre eu, assente sobre os mesmos pés —
O mesmo sempre, graças ao céu e à terra
E aos meus olhos e ouvidos atentos
E à minha clara simplicidade de alma...

(Alberto Caeiro)

segunda-feira, abril 11, 2005

Esfregar os olhos

Se virem uma pastora como a da entrada de baixo, supeitarão em algum momento que poderão estar na frente de um Alberto Caeiro de saias, alguém com uma relação radical com a natureza?

(Jean-François Millet)

As pedras

As pedras falam? pois falam
mas não à nossa maneira,
que todas as coisas sabem
uma história que não calam.

Debaixo dos nossos pés
ou dentro da nossa mão
o que pensarão de nós?
O que de nós pensarão?

As pedras cantam nos lagos
choram no meio da rua
tremem de frio e de medo
quando a noite é fria e escura.

Riem nos muros ao sol,
no fundo do mar se esquecem.
Umas partem como aves
e nem mais tarde regressam.

Brilham quando a chuva cai.
Vestem-se de musgo verde
em casa velha ou em fonte
que saiba matar a sede.

Foi de duas pedras duras
que a faísca rebentou:
uma germinou em flor
e a outra nos céus voou.

As pedras falam? pois falam.
Só as entende quem quer,
que todas as coisas têm
um coisa para dizer.

(Maria Alberta Menéres)

sábado, abril 09, 2005

Três mundos


(M. C. Escher)

A bela e pura

A bela e pura palavra Poesia
Tanto pelos caminhos se arrastou
Que alta noite a encontrei perdida
Num bordel onde um morto a assassinou.


(Sophia de Mello Breyner Andresen)

A arte e os grafiteiros

O que aconteceria se deixássemos num bosque um grupo de adolescentes com telas, tintas e pincéis? Pintariam apenas as assinaturas, como fazem nos muros de grafitti e nos interiores dos transportes públicos?

sexta-feira, abril 08, 2005

Descubra as diferenças

No filme "As Sandálias do Pescador", um papa fictício manda derreter os objectos de ouro do Vaticano para combater a pobreza do mundo.

Hoje, no funeral do Papa João Paulo II, milhões de pessoas tinham gasto milhões em viagens até Roma. A hierarquia católica garantiu ainda que este papa teve um funeral como os que todos os imperadores sonharam ter mas nunca conseguiram.