segunda-feira, abril 11, 2005


(Jean-François Millet)

As pedras

As pedras falam? pois falam
mas não à nossa maneira,
que todas as coisas sabem
uma história que não calam.

Debaixo dos nossos pés
ou dentro da nossa mão
o que pensarão de nós?
O que de nós pensarão?

As pedras cantam nos lagos
choram no meio da rua
tremem de frio e de medo
quando a noite é fria e escura.

Riem nos muros ao sol,
no fundo do mar se esquecem.
Umas partem como aves
e nem mais tarde regressam.

Brilham quando a chuva cai.
Vestem-se de musgo verde
em casa velha ou em fonte
que saiba matar a sede.

Foi de duas pedras duras
que a faísca rebentou:
uma germinou em flor
e a outra nos céus voou.

As pedras falam? pois falam.
Só as entende quem quer,
que todas as coisas têm
um coisa para dizer.

(Maria Alberta Menéres)

sábado, abril 09, 2005

Três mundos


(M. C. Escher)

A bela e pura

A bela e pura palavra Poesia
Tanto pelos caminhos se arrastou
Que alta noite a encontrei perdida
Num bordel onde um morto a assassinou.


(Sophia de Mello Breyner Andresen)

A arte e os grafiteiros

O que aconteceria se deixássemos num bosque um grupo de adolescentes com telas, tintas e pincéis? Pintariam apenas as assinaturas, como fazem nos muros de grafitti e nos interiores dos transportes públicos?

sexta-feira, abril 08, 2005

Descubra as diferenças

No filme "As Sandálias do Pescador", um papa fictício manda derreter os objectos de ouro do Vaticano para combater a pobreza do mundo.

Hoje, no funeral do Papa João Paulo II, milhões de pessoas tinham gasto milhões em viagens até Roma. A hierarquia católica garantiu ainda que este papa teve um funeral como os que todos os imperadores sonharam ter mas nunca conseguiram.

quarta-feira, abril 06, 2005

Jacinto azul


(Lang of Nuremberg)

Honestidade intelectual

Em certos meios, a noção de honestidade intelectual pura e simplesmente não existe. Quando se aflora, cai-se sempre na tentação de cair no ridículo. E, no entanto, como tudo poderia ser melhor se nesses meios se conversasse sobre as coisas com o mínimo de cordialidade e com a tal honestidade...

Mãe Natureza

Somos ou não filhos pródigos da Mãe Natureza? Em vários sentidos...

Love

Love bade me welcome: yet my soul drew back,
Guilty of dust and sin.
But quick-ey'd Love, observing me grow slack
From my first entrance in,
Drew nearer to me, sweetly questioning
If I lack'd anything.

A guest, I answer'd, worthy to be here:
Love said, you shall be he.
I the unkind, ungrateful: Ah, my dear,
I cannot look on thee.
Love took my hand, and smiling did reply,
Who made the eyes but I?

Truth Lord, but I have marr'd them: let my shame
Go where it doth deserve.
And know you not, says Love, who bore the blame?
My dear, then I will serve.

You must sit down, says Love, and taste my meat.
So I did sit and eat.


(George Herbert)

Qualidade de vida

É, por exemplo, poder ouvir sinos de igreja.

(Jean-François Millet)

The sound of silence

Hello darkness, my old friend,
I’ve come to talk with you again,
Because a vision softly creeping,
Left it’s seeds while I was sleeping,
And the vision that was planted in my brain
Still remains
Within the sound of silence.

In restless dreams I walked alone
Narrow streets of cobblestone,
’neath the halo of a street lamp,
I turned my collar to the cold and damp
When my eyes were stabbed by the flash of
A neon light
That split the night
And touched the sound of silence.

And in the naked light I saw
Ten thousand people, maybe more.
People talking without speaking,
People hearing without listening,
People writing songs that voices never share
And no one deared
Disturb the sound of silence.

Fools said i, you do not know
Silence like a cancer grows.
Hear my words that I might teach you,
Take my arms that I might reach you.
But my words like silent raindrops fell,
And echoed
In the wells of silence

And the people bowed and prayed
To the neon God they made.
And the sign flashed out it’s warning,
In the words that it was forming.
And the signs said, the words of the prophets
Are written on the subway walls
And tenement halls.
And whisper’d in the sounds of silence.


(Paul Simon)