terça-feira, novembro 30, 2004
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.
O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.
E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.
(Luís Vaz de Camões)
Noites
Ela desce, atabalhoadamente, de um salto de um décimo andar. A roupa não ondula, nem há nenhuma “echarpe” flutuante, como nos filmes e nos sonhos, mas não há tempo para reparar nisso. Estes breves instantes condensam a satisfação de ter tido a coragem de tomar o seu destino completamente nas suas mãos – o acto de mais completo uso da sua liberdade – e do alívio que sentirá daqui a poucos segundos, porque todo o insuportável sofrimento que monopolizou a sua vida terá, em breve, um fim.
O sangue parece subir-lhe à cabeça, e os nervos estão incrivelmente tensos. No último instante, lembra-se de alguém e invoca o seu nome, como prometera a si própria fazer, há muitos anos. Alguém que não podia deixar de estar presente neste momento decisivo.
Toda a vida passa, então, num segundo, pela sua mente. Não se pode dizer que não viveu, que não viajou – pelo mundo, pelas emoções, pelas sensações, pelas ideias. Não procurou o limite dessas coisas, mas saboreou tudo o que teve, saboreou muito. Foi um patinho feio que nunca se transformou em cisne. Catrapum!
2. Mergulho
Ela desce no azul líquido e baço, o corpo e os cabelos ondulam, e as últimas bolhas de ar abandonam o seu corpo. Viveu encarcerada na sua solidão. Há uma corda atada a uma pedra que ela atou a um tornozelo. Não vai ser um truque de Houdini. A aflição é enorme; ela debate-se e, depois, chora porque sabe que é assim que tem de ser, que somos todos apenas formigas efémeras no formigueiro, que não vale a pena lutar por mais. As formigas não têm o direito de olhar para as estrelas, caro Oscar Wilde... Só de transformar-se em húmus.
domingo, novembro 28, 2004
Observação com espírito aberto
“Cada ser humano é um mundo.” Não interessam as rugas, as olheiras, os papos, todas as imperfeições. Cada ser humano poderia, em princípio, ser meu amigo. Por que não?
sábado, novembro 27, 2004
A lepra
sexta-feira, novembro 26, 2004
Os impuros
Javé disse a Moisés e Aarão: «Quando alguém tiver na pele uma inflamação, um furúnculo ou qualquer mancha que produza suspeita de lepra, será levado diante do sacerdote Aarão ou de um dos seus filhos sacerdotes. O sacerdote examinará a parte afectada. Se no lugar doente o pêlo se tornou branco e a doença ficou mais profunda na pele, é caso de lepra. Depois de o examinar, o sacerdote declará-lo-á impuro. Mas se há sobre a pele uma mancha branca, sem depressão visível da pele, e o pêlo não se tornou branco, o sacerdote isolará o doente durante sete dias. No sétimo dia examinará de novo o doente: se observar que a doença permanece sem se espalhar pela pele, tornará a isolá-lo por mais sete dias; no sétimo dia, examiná-lo-á novamente. Se então verificar que a mancha não ficou mais branca e não se espalhou pela pele, o sacerdote declarará puro o homem, pois trata-se de um furúnculo. A pessoa lavará a sua roupa e ficarará pura. Mas se o furúnculo se alastrar sobre a pele depois de o enfermo ter sido examinado pelo sacerdote e declarado puro, ele deverá apresentar-se de novo ao sacerdote. O sacerdote examiná-lo-á; se observar que o furúnculo se alastrou sobre a pele, o sacerdote declará-lo-á impuro: trata-se de lepra.»
(Levítico, 13:1-8)
Prémio Raoul Follereau do AdP
quinta-feira, novembro 25, 2004
Lepra de blog
quarta-feira, novembro 24, 2004
Rui Gomes da Silva passa a ministro-adjunto do primeiro-ministro
terça-feira, novembro 23, 2004
Biberão de consumismo
Como seria útil que houvesse uma limitação a uma frequência razoável da difusão dos habituais anúncios sobre brinquedos de Natal... Como não há, vamos ter que assistir até à náusea, por mais um ano, à exploração descarada da fragilidade das crianças.
